O artista dos murais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de abril de 2012
Marcos André de Brito Especial para a Folha 
Traços Livres não muito bem definidos em baixo relevo. Essas são as características principais da obra de um dos maiores artistas plásticos do Paraná: Ademir Balera Silva, ou simplesmente ''Coruja''. Dono dos mais belos murais e painéis históricos espalhados pelo Norte Novo e Norte Pioneiro, Balera é formado pela Faculdade Panamericana de Artes, escola tradicional do bairro da Consolação, em São Paulo. Ele se adaptou de tal maneira ao interior que diz não trocar o Norte Pioneiro por nada. Atualmente reside em Cornélio Procópio.
''Tenho muito carinho por esta região, pela cidade que escolhi para viver e prefiro a tranquilidade do interior, ao agito e aos riscos das cidades grandes'', confessa. Toda esta atenção pela região, já rendeu inúmeros trabalhos, principalmente na criação e confecção de murais, que executa com muita propriedade e estilo. Além dos murais, o artista é uma especialista em gravuras, desenhos, ilustrações, logomarcas, charges, editoração e produção de comerciais em rádio, tevê e jornais,
Com obras espalhadoss por várias cidades do Norte Pioneiro e na Grande São Paulo, Balera busca inspiração na arte do curitibano Poty Lazzarotto, de quem se considera discípulo. Embora o estilo de Poty Lazarotto seja inconfundível, a obra de Balera lembra o trabalho de um dos maiores artistas plásticos do Paraná.
Ele se encantou ao visitar o painel que Poty fez em homenagem ao poeta Fernando Pessoa, em Sagres, num Balneário de Algarve ao Sul de Portugal. ''Considero este mural a obra mais bonita de Poty Lazarotto, que possui ainda obras famosas em Curitiba no teatro Guaíra, no Palácio Iguaçu, no Largo da Ordem e em algumas praças da capital'', afirmou Balera.
A obsessão pela arte nasceu ainda na infância, quando Ademir Balera vivia em Uraí, onde o pai era ''chefe da Estação Ferroviária''. Desde pequeno, Balera se encantava com filmes no antigo cinema da cidade, nas músicas da época e nas revistas que circulavam na cidade. Foi em uma destas revistas, a Correio dos Ferroviários, editada pela Rede Viação Paraná Santa Catarina, que Balera conheceu Poty Lazarotto, também filho de ferroviário e que possuía uma seção onde apresentava traços e desenhos relacionados a vários assuntos. A medida em que foi crescendo, foi conhecendo mais profundamente o trabalho do ''gênio'' dos murais do Paraná.
''Minhas obras, às vezes, lembram a dele porque as tendências são as mesmas. Não conheço nenhum busto criado pelo Poty durante sua carreira. Ele optou por obras em baixo relevo e eu me orgulho muito de me inspirar neste gênio contemporâneo que viveu aqui neste estado e que como eu, também era filho de ferroviário'', recorda.


