Nova técnica reduz custo de reciclagem de garrafa PET
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terça-feira, 09 de junho de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Cornélio Procópio Uma usina de ideias criativas e inovadoras é o que se pode dizer da atuação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Cornélio Procópio, durante a realização do Prêmio de Projetos Inovadores, que este ano chegou à sua sétima edição, com a universidade conquistando a segunda colocação com o projeto "Técnica inovadora para obtenção de fibras a partir de garrafas PET", realizado pelo aluno Edilson Matias Júnior sob a orientação do professor Fernando de Medeiros Diório, que receberam o prêmio no valor de R$ 5 mil. Esta é a nona vez que a UTFPR, campus Cornélio Procópio, é contemplada na premiação, sendo três delas sob a orientação do professor Diório.
Participaram da seletiva 27 projetos inscritos de todo o Brasil. A premiação foi realizada durante a 8ª Festa da Indústria, no dia 29 de maio, em Londrina. A Universidade de Brasília ("Avaliação de desempenho de misturas betuminosas com adição de iodos de ETA e de ETE") e a Universidade Estadual de Maringá ("Reforço estrutural de componente de edificações a partir de resíduos de tecidos de algodão procedentes da indústria têxtil") conquistaram o primeiro e o terceiro lugares, respectivamente. Os três projetos finalistas foram expostos no Fórum EletroMetalCon, que aconteceu de 6 a 7 de maio, no Senai, onde 30 convidados especiais, entre empresários e representantes de instituições, votaram para escolha de primeiro, segundo e terceiro colocados.
Dentro da área de Engenharia Mecânica e de Materiais - e realizado no Laboratório de Estudos de Materiais e Ensaios (Leme)-, o projeto premiado da UTFPR/Cornélio Procópio consiste em um método inédito para obtenção de fibras de poliéster não têxteis a partir do Politereftalato de Etileno (PET), como os de garrafas de refrigerantes. "Essas fibras não possuem, no atual estágio de desenvolvimento, as características necessárias para confecção de roupas por exemplo, mas servem perfeitamente como material de enchimento para sofás, almofadas, isolamento térmico e acústico, bem como diversas aplicações nas áreas de engenharia", explica o professor Fernando de Medeiros Diório, que orientou o projeto.
MAIS ECONÔMICO
Segundo ele, as fibras sintéticas, inclusive as têxteis, são obtidas tradicionalmente por um processo de extrusão. Para o PET, por exemplo, virar fibra pelo processo de extrusão são necessárias algumas etapas produtivas que encarecem o produto final. Pela técnica proposta, o PET limpo e triturado (flakes) é acrescido de aditivos essenciais ao processo e transformado em fibras por centrifugação, economizando etapas produtivas, além de reduzir drasticamente o custo do produto final. O processo é totalmente inovador e foi patenteado esta é a primeira premiação do projeto até agora.
USO NA INDÚSTRIA
Sobre a aplicabilidade da metodologia na área industrial, Diório ressalta que a técnica é viável, sendo interessante tanto ao investimento público quanto privado, por ter alta produtividade aliada a baixos custos, tanto de equipamentos como de produção de um modo geral. "Essa técnica vem ao encontro das necessidades sociais a ambientais, pois pode ser implantada em cooperativas de recicladores, gerando renda e desenvolvimento local, estimulando a reciclagem do PET, melhorando os indicadores de reciclagem do País", ressalta. No aspecto ambiental, a técnica contribui para redução do volume de resíduos de decomposição lenta em aterros, reduz as emissões de carbono, e projeta a imagem do País como nação ambientalmente correta. A próxima etapa, conforme o pesquisador, é construir um segundo protótipo com maior capacidade de produção e angariar investimentos para o projeto.
O Prêmio de Projetos Inovadores com Aplicabilidade na Indústria Metalúrgica, Mecânica, Eletrônica, Materiais Elétricos e Construção Civil tem por objetivo estimular e valorizar a produção de projetos desenvolvidos por universitários, que disponham de produtos ou processos inovadores, e que venham contribuir para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico das indústrias de Londrina e região. O prêmio é promovido pelos realizadores do EletroMetalCon, Senai-Londrina, Sindimetal-Londrina e Sinduscon Norte/PR, e há quatro anos passou a ter abrangência nacional.


