Nova América da Colina - O técnico agrícola Welton Gonzaga de Morais faz um trabalho de campo fora do comum. Ele é vistoriador de greening, uma doença causada por um inseto (psilídeo), que ataca as plantas cítricas, deixando as folhas mais claras e os frutos com deformidade. A atividade consiste em vistoriar os pomares de citros em vários municípios da região, principalmente a laranja, que é plantada em maior quantidade. Morais vistoria entre 5 mil e 6 mil pés de citros por dia, um por um. Quando o pé de laranja é pequeno, ele faz a vistoria andando entre as ruas dos pomares, mas quando a planta já está adulta, é preciso usar um trator para vistoriar também a parte de cima.
Morais começou a desenvolver esta atividade, que parece inusitada, há quatro anos e meio, e o volume de trabalho só aumenta, para preocupação dele e de quem é do ramo. O técnico acabou se especializando na identificação dessa praga, que está tirando o sono de muitos citricultores do Norte Pioneiro.
O produtor rural Cláudio Sato tem 6 mil pés de laranja em sua propriedade no município de Nova América da Colina. Ele faz pulverizações preventivas no pomar duas ou três vezes por mês para evitar que o greening apareça e para o controle de outras doenças menos nocivas. Na última vistoria que fez na lavoura há alguns dias, ele identificou quatro pés de laranja com a doença e não teve dúvidas: erradicou as plantas imediatamente. Neste caso, as plantas foram cortadas rente ao solo.
A lavoura de Sato pode ser considerada um bom exemplo. Desde que passou a fazer um controle mais rigoroso para evitar a doença, o produtor diz que perdeu apenas 25 plantas em função da doença. Ele só lamenta que nem todos os citricultores tenham o mesmo cuidado. Segundo ele, todo este trabalho aumentou o custo de produção da laranja entre 45% e 55%.
Mal da citricultura
O engenheiro agrônomo Ciro Daniel Marcolini, do Instituto Emater, define o greening como o grande mal da citricultura no momento. Para ele, a situação é preocupante. O nível de infestação nos pomares da região está na média de 4,5%, o que é considerado muito alto. Há propriedades com menos de 1% de infestação, mas outras que passam de 10%.
Marcolini afirma que a região chegou a este índice porque nem todos os produtores tomam os devidos cuidados, fazendo as pulverizações preventivas e erradicando a planta quando aparece a doença. Segundo o engenheiro agrônomo, a cultura se torna inviável tanto do ponto de vista econômico quanto fitossanitário quando o índice de infestação chega a 25%.
O engenheiro agrônomo explica que o psilídeo transmite uma doença bacteriana, que se espalha pelo ar e, uma vez instalada na planta, nunca mais sai, exigindo a erradicação do pé infectado. Por isso, o engenheiro agrônomo diz que o produtor precisa se conscientizar sobre a necessidade de fazer um controle regional da doença, ou seja, que todos tomem os mesmos cuidados ao mesmo tempo, porque não adianta um produtor fazer a prevenção, se o vizinho não faz o mesmo.
Marcolini conta que a doença teve origem na China e chegou ao Brasil há quase 10 anos, não se sabe como. No Paraná, a doença apareceu entre 2008 e 2009. Até agora, os pomares mais afetados ficam no Estado de São Paulo, onde 23 milhões de plantas foram erradicadas nos últimos 6 anos, o que corresponde a 15% do total de plantas do Estado. O especialista diz que há muito mais plantas a serem erradicadas no Estado vizinho, que é o maior produtor de laranja do mundo.

Prevenção
Segundo o engenheiro agrônomo, há 30 espécies de inseticidas para combater a praga. O trabalho deve ter acompanhamento. Ele sugere que os citricultores façam aplicações mudando de produto porque a praga pode criar resistência a um tipo de inseticida, que deixa de fazer o efeito desejado.
Marcolini, que acompanha a qualidade da laranja na Cooperativa Nova Citrus em Nova América da Colina, garante que a laranja que chega ao consumidor está livre dos inseticidas e da doença.

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