O caso de uma menina de 10 anos que foi estuprada pelo padrasto há pouco mais de um mês engrossa as estatísticas das ocorrências de violência contra crianças no Norte Pioneiro. A região registrou no ano passado 295 casos de estupro a vulnerável (quando a vítima é criança ou adolescente ou não tem condições físicas ou psicológicas de se defender da agressão). Entre os municípios que lideram a triste realidade estão Ibaiti, com 30 casos, e Jacarezinho, com 26 ocorrências. Em todo o Paraná, segundo números fornecidos pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR), foram 6.748 casos em 2011. O mesmo relatório aponta ainda que durante o mês de Janeiro o Estado teve 597 queixas, 29 apenas na região
Mais preocupante ainda é saber que os números oficiais podem não retratar fielmente a realidade. Para o delegado-chefe da 11 Subdivisão Policial (SDP) - que atende 21 dos 46 municípios da região - Marcos Belinati, o número de denúncias deve ser menor do que o de crimes dessa natureza, já que muitas vezes o autor faz parte da própria família.
''Muitas vezes as famílias deixam de denunciar justamente por serem pessoas próximas, mas pedimos que elas denunciem para que a polícia civil possa investigar. Trata-se de um crime gravíssimo e, uma vez comprovado, nossa intenção é responzabilizar quem o praticou'', afirma. Belinati diz que, embora na regional os casos ocorram em escala menor se comparados ao estado, os números preocupam. Ele enfatiza que as denúncias podem ser anônimas ou feitas na própria delegacia, onde há o ''máximo cuidado'' para preservar a família envolvida.
Os dados levantados por meio do Boletim de Ocorrências Unificado classificam os casos da seguinte forma: estupro a vulnerável (quando a vítima tem menos de 18 anos ou não tem condições físicas ou psicológicas de se defender)
resultando ou não em lesão corporal grave. O mesmo vale para o estupro ou atentado violento ao pudor. Estas são, portanto, as ocorrências que chegaram ao conhecimento da Polícia Militar ou da Polícia Civil.
O delegado destaca que com a alteração na lei de estupro (hoje o artigo 213), feita em 2009, é considerado crime não só a conjunção carnal, mas qualquer ato libidinoso. ''Antes precisava da conjunção carnal e só era considerado estupro do homem com a mulher, mas com a alteração na lei até mesmo se um menino sofrer a agressão o praticante deve ser punido'', explica.
Mas como identificar que o crime estupro está sendo cometido dentro de casa? Belinati argumenta que geralmente a vítima apresenta um comportamento diferente, principalmente na presença do agressor. ''Se algo de diferente for notado a polícia deve ser procurada. Talvez uma conversa com a psicóloga ajude a identificar o problema'', aconselha.
A delegada adjunta da 12 SDP em Jacarezinho, que atende 22 municípios, Patrícia Cavalari Bocamino Taborda também defende que a principal forma de combate a esse tipo de crime é a denúncia. Ela lembra que o estupro a vulnerável não escolhe classe social ou idade para ocorrer, por isso é preciso estar sempre atento.
Um ponto positivo em todo o Norte Pioneiro, de acordo com os delegados, é que o número de denúncias falsas é pequeno. ''A maioria das denúncias são confirmadas e solucionamos o caso'', informa Patrícia.

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