''Em 1982 começamos com uma máquina comprada a prestação e uma outra emprestada'', relembra Osvaldo de Carvalho, empresário pioneiro do setor de confecção em Siqueira Campos. Ele conta que na época encomendou umas calças para serem vendidas no comércio local. ''As calças eram confeccionadas com retalhos comprados no Boqueirão em Curitiba. Vi que o negócio vingava e comecei a comprar rolos com a quantidade de 100 metros em São Paulo. Compramos mais uma máquina e a produção foi aumentando'', conta. ''Não tínhamos ideia de que Siqueira Campos se tornaria um polo de confecções. A população nem imagina quantas marcas são produzidas aqui'', diz.
Em 1992, a fábrica de Carvalho chegou a ter mais de 100 funcionários e produzia a marca Dallas. ''Depois disso veio a grife francesa Jaques Fath e no final daquele ano os negócios pararam, a fábrica foi arrendada'', conta o filho Márcio Antônio de Carvalho, dizendo que daquela época até 2003 a família investiu no ramo de compra e venda de veículos. ''Até 1996 a única fábrica que tinha na cidade era a continuação da minha, depois disso outras vieram se instalar'', continua Osvaldo.
Em 2003 quando Márcio resolveu retomar os negócios da família passou a faccionar as marcas VR, Ellus, Calvin Klein, Morena Rosa, M. Officer e hoje detém a facção exclusiva da grife Richard's.
Por mês, a facção produz em média 12 mil peças. ''São produtos diferenciados, ricos em detalhes que acabam limitando a produção. Sou o único faccionista da Richard's nessa produção. Eles mandam a matéria-prima e eu cuido das peças com o corte e costura. O único processo que não faço é a lavanderia. No total da produção 90% são bermudas e 10% calças'', diz. ''Quem usa uma calça ou uma bermuda Richard's nunca espera quer essas peças sejam feitas em Siqueira Campos'', comemora.
Depois de prontas as peças seguem para o Rio de Janeiro para serem distribuídas para mais de 200 lojas. Para 2012, Márcio prospecta um aumento de até 50% na produção. Isso equivale a contratação de mais 60 funcionários que ganham em média R$ 715. (K.A)
José Roberto da Silva, 29 anos é filho de uma antiga costureira da fábrica. Cresceu vendo o trabalho da mãe e aprendeu o ofício. Há 14 anos ele está no ramo. ''Já cortei passante, bolsos, fazia desenhos com amido de milho para serem arrematados com a máquina reta'', lembra. Quando a tecnologia invadiu o mercado, Silva aprendeu a mexer com as máquinas e tornou-se mecânico industrial. Ele maneja todas as máquinas da fábrica, a de bordados, por exemplo, realiza o trabalho de oito mulheres. (K.A.)

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