Há 53 anos, no dia 10 de dezembro de 1948, a ONU, numa Assembléia Geral, adotava e proclamava os 30 artigos sobre os Direitos Humanos, como ideal comum a ser vivido por todos os povos e nações, na construção de um mundo fraterno, condição de paz. Os meios de comunicação pouco falaram dessa data, talvez porque, como anunciava um locutor de uma grande emissora: ''Não há para se comentar''.

Daqui a poucos dias estaremos comemorando os 2001 anos do nascimento de Jesus Cristo. Embora a contagem desses anos não seja precisa e 25 de dezembro não seja o dia exato do nascimento de Jesus, uma coisa é certa: Deus, por amor, na pessoa de Jesus Cristo, assumiu nossa natureza com o compromisso de construir com toda a humanidade um mundo, onde a vida seja o valor sagrado e onde o ódio e a violência não tenham mais lugar.

Os artigos dos Direitos Humanos baseados no direito e na justiça e o Evangelho de Jesus fundamentando esses mesmos princípios e fortalecendo-os com o amor, a misericórdia e o serviço mútuo de todas as pessoas do mundo, independente de credo, raça, cultura ou poder, serão sempre o caminho da paz e da felicidade.

Viver o Natal é viver tudo isso, é oferecer, melhor, é ser um presente aos outros, presente de liberdade, de dignidade respeitosa e de serviço fraterno, semente que deverá crescer e produzir digna e necessária globalização da partilha das riquezas do mundo. Viver o Natal é proclamar que aceitamos os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, é ser discípulo de Cristo que nos assumiu como irmãos, é viver a verdadeira caridade para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Jo. 10,10.

- Dom Fernando José Penteado é bispo de Jacarezinho

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