Cornélio Procópio - A certeza do atendimento e a possibilidade de uma rápida solução para vários tipos de demanda judicial levaram centenas de pessoas ao Centro de Eventos Emilio Carazzai, em Cornélio Procópio, no sábado passado. Foi a primeira vez que a cidade recebeu o projeto Justiça no Bairro, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Paraná em parceria com várias entidades prestadoras de serviço e instituições de ensino superior da região.
Houve inúmeros casos que chamaram a atenção, entre eles os de alguns casais que foram pedir a realização de exames de DNA para comprovação de paternidade. Uma das situações mais comuns, entretanto, foram os pedidos para alteração de alguns dados em documentos pessoais.
As irmãs Maristela e Ana Maria da Silva, filhas do frentista aposentado Luiz Lourenço da Silva, foram pedir a refiticação da certidão de casamento dele, que aconteceu há 46 anos. Silva ficou viúvo há dois anos e algum tempo depois as filhas foram ao INSS para dar entrada ao pedido de pensão, quando se descobriu que havia um erro no documento. Onde deveria ser colocado o nome da mãe do aposentado, foi colocado o nome da avó.
A família já esteve até em Minas Gerais, onde ele nasceu, mas não conseguiu fazer a retificação. As filhas souberam que o projeto Justiça no Bairro poderia resolver este tipo de problema e foram ao local munidas de todos os documentos possíveis e saíram de lá com a certeza de que a correção seria feita. Maristela diz que eles voltarão ao INSS nos próximos dias para pedir novamente a pensão, agora com todos os documentos em ordem.
O advogado Henrique José Panizzo aproveitou a oportunidade para levar cerca de 50 clientes ao centro de eventos, quase todos para pedir a revisão de contratos com instituições financeiras. Ele diz que a iniciativa do Tribunal agiliza o trabalho da Justiça porque um processo que iria demorar dois ou três anos para ter uma solução, tem o acordo ou a sentença definida naquele momento.
Um dos clientes de Panizzo é o padeiro autônomo Adão Benedito Ferreira, que financiou um carro há alguns anos e agora, quase no final do pagamento de todas as parcelas, avaliou que os ''juros são abusivos'' e que o veículo sofreu uma ''grande desvalorização''. Por isso, decidiu procurar a justiça. Ele acredita que poderá ter uma solução para sua demanda nos próximos dias.
A desembargadora Joeci Machado Camargo, do Tribunal de Justiça do Paraná, acompanhou todo o trabalho em Cornélio Procópio e intermediou algumas questões pessoalmente. Ela diz que este é um projeto de responsabilidade social do Poder Judiciário, que reúne profissionais de diversas áreas, em especial de direito, saúde e assistência social.
Joeci diz que todo trabalho é feito para atender as pessoas que não teriam tempo de procurar um advogado ou algum escritório de atendimento das faculdades e que teriam seu orçamento doméstico comprometido com uma demanda judicial. ''A estrutura aqui é organizada de tal maneira que funciona como uma linha de produção; a pessoa tem o seu direito visto desde o início até o final, ou seja, ela sai daqui com o caso solucionado ou com o processo encaminhado'', afirma. Os casos não resolvidos durante a realização do projeto, no sábado passado, foram encaminhados para a sede da comarca, onde devem ser solucionados nos próximos dias.
A última atividade no centro de eventos de Cornélio Procópio aconteceu no começo da noite, quando a desembargadora presidiu a cerimônia de um casamento coletivo que reuniu 188 casais que precisavam oficializar a relação.

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