Municípios insistem em manter os lixões
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Benedito Teles De Santo Antônio da Platina 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divulgou que quase 60% dos 23 municípios que compõem a regional do órgão, em Jacarezinho, não apresentam programas adequados de aproveitamento ou depósito do lixo. Os detritos são mantidos em lixões sem nenhum controle, facilitando a ação de catadores de lixo, que vasculham as áreas em busca de material reciclável.
Conforme o chefe regional do IAP, Tarcísio Mossato Pinto, a manutenção dos lixões pode acarretar notificações e multas aos municípios que não adotarem medidas para resolver o problema. O IAP pretende intensificar a negociação com as prefeituras, mas Mossato adverte que existe a possibilidade de punição para os prefeitos que não se enquadrarem às novas exigências ambientais, com o encaminhamento das denúncias ao Ministério Público.
Mossato afirma que a exposição a céu aberto dos resíduos domésticos e industriais prejudica o meio ambiente com a contaminação dos lençóis freáticos e estimula a ocorrência de problemas sanitários e sociais através da proliferação de insetos e da manutenção de catadores que utilizam os resíduos para sobrevivência. Vários prefeitos não perceberam que o problema do lixo deve ser resolvido imediatamente, alertou.
O prefeito de Figueira Jaime Higino dos Santos (PSL) admitiu que o lixo recolhido no município é depositado em um local irregular, mas afirmou que o aterro sanitário está sendo providenciado. Segundo ele, a liberação de recursos na ordem de R$ 70 mil, obtidos junto ao governo federal, depende de detalhes técnicos e devem ser liberados nos próximos meses.
O projeto de aterro sanitário e coleta seletiva de lixo coordenado pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) e financiado pela Caixa Econômica Federal está em fase de implantação nos municípios de Jacarezinho, Siqueira Campos, Santo Antônio da Platina, Ibaiti e Conselheiro Mairinck. O programa prevê a liberação de R$ 1 milhão para a construção de aterros sanitários e barracões para seleção e reciclagem do lixo.
O IAP estima que Santo Antônio de Platina e Jacarezinho devem receber R$ 350 mil, enquanto Siqueira Campos, Conselheiro Mairinck e Ibaiti devem receber em média R$ 100 mil.
O programa está na etapa de conclusão em quatro municípios. Somente em Santo Antônio da Platina o projeto está na fase de desenvolvimento com a construção das áreas para o aterro e para o barracão. De acordo com os técnicos da prefeitura, os recursos do governo federal foram liberados e as obras de construção do aterro tiveram início. Mas os detritos ainda não estão sendo encaminhado para o local. A prefeitura também obteve recursos através de um convênio com a Caixa, que serão utilizados para a aquisição de equipamentos de reciclagem.
Em Jacarezinho, o prefeito José Antônio de Oliveira (PTB) afirmou que o objetivo da administração municipal é realizar a coleta seletiva de lixo. Ele adiantou que a prefeitura deve utilizar os serviços dos catadores que foram impedidos de trabalhar no lixão. Vamos propor a organização dos catadores através de uma associação e oferecer uma alternativa de trabalho na coleta, disse. As obras do aterro estão concluídas, mas a usina ainda deve demorar alguns meses para entrar em funcionamento.
Em Siqueira Campos, o antigo lixão, próximo ao aeroporto, será aterrado e a área será desativada. O aterro sanitário está na etapa final de construção e o lixo está sendo depositado em valas na área do aterro. Segundo a prefeitura, a segunda etapa do programa será realizada através da conscientização da comunidade. O objetivo é esclarecer a população sobre a importância da coleta seletiva de lixo.
A reciclagem e compostagem de lixo urbano são realizadas apenas nos municípios de Carlópolis e Ibaiti. Em Ibaiti, a usina emprega 17 pessoas nas operações de separação e armazenamento de lixo reciclado. A operação de separação é realizada na própria usina. São recolhidos aproximadamente oito toneladas de detritos urbanos. A usina de Carlópolis foi tercerizada e emprega 16 pessoas no processamento do lixo.


