Wenceslau Braz - Com as temperaturas na casa dos 35ºC nas últimas semanas, a população de várias cidades do Norte Pioneiro tem sofrido com a falta de água. Sem investimentos efetivos, a Sanepar enfrenta um círculo vicioso: reclamações no verão, quando há aumento no consumo; poucas ações durante nove meses e mais problemas no próximo verão. O desabastecimento tem atingido moradores de Ibaiti, Santana do Itararé, mas o caso mais grave é em Wenceslau Braz. Tanto transtorno fez com que moradores da cidade de 19 mil habitantes procurassem a intervenção do Ministério Público (MP).
Cansada de esperar por uma solução, a serventuária da Justiça, Laureny Nogueira, protocolou na semana passada uma denúncia na promotoria. Ela explica que o órgão já entrou em contato com a Sanepar. Caso não haja uma ação efetiva da companhia de saneamento, a reclamação pode gerar uma Ação Civil Pública. "Estamos cansados desse descaso. É um verdadeiro inferno não ter água. Tem casas com interrupções de até 32 horas", critica.
Enquanto a água não chega nas torneiras, a população, principalmente dos bairros mais altos da cidade, se debate para dar conta de tarefas como lavar roupas, louças ou fazer o almoço. Na Vila Santa Maria, a água chega de madrugada, mas já falta nas primeiras horas da manhã, o que obriga a dona de casa Clarice Aparecida a lavar as roupas na madrugada. Esta é a mesma situação de Neide Ribeiro. "Em dezembro tivemos que trocar o dia pela noite para poder dar conta dos serviços", reclama.
O problema crônico fez com que uma equipe da Sanepar procurasse possíveis vazamentos pelas ruas da cidade. A Prefeitura, porém, aponta o que todos já sabem: faltam investimentos. O chefe de Gabinete do Município, José Luiz Andraus, informou que quatro ofícios foram encaminhados à Sanepar nos últimos meses cobrando melhorias na captação e na distribuição.
"O sistema é antigo e existe a necessidade imediata de se renovar a rede hidráulica, além de melhorias da estação de captação, no Rio Natureza", aponta. Segundo Andraus, a prefeitura mantém contato direto com a gerência da Sanepar, que prometeu empenho para resolver a situação em breve. Na semana passada, a assessoria da Sanepar informou que a estiagem e o aumento de consumo em torno de 25% nos últimos dias provocaram o desabastecimento no município. Na tarde de ontem, a reportagem tentou contato com o gerente regional da Sanepar, Gandy Ney de Camargo, mas não recebeu resposta até o fechamento da edição.

CPI em Ibaiti
Em Ibaiti, a Câmara de Vereadores abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato da Sanepar com o município. Apesar de a queixa principal se tratar da pouca abrangência dos serviços de esgoto, cerca de 16% dos domicílios, o presidente da Câmara, Adauto Cunha (PcdoB) afirmou que o abastecimento também é precário. "Falta água na cidade. Nos bairros rurais e distritos a situação é ainda pior", revela.
Cunha explica que os membros da CPI, que tem o vereador Sidnei Robis (PTB) como presidente e Jeferson Matioli (PRP) como relator, vão ouvir representantes da prefeitura, da Sanepar e os consumidores. "Infelizmente não vemos providências das Sanepar. A estrutura tem mais de 40 anos e é deficiente. Isso pode acarretar em uma quebra de contrato por justa causa. O caso caminha para a instalação de uma autarquia no município", alerta.

Andirá
Parte da população de Andirá também sofreu com o desabastecimento no final de dezembro. De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (Demae), que assumiu os serviços no município há três anos, a distribuição foi prejudicada por uma bomba que queimou. De acordo com o diretor Luiz Carlos Demarqui, o bairro mais prejudicado foi a Vila Americana, mas ele garantiu que o problema já foi resolvido. Segundo Demarqui, a municipalização dos serviços trouxe melhorias. "Nós pegamos todo o sistema da Sanepar sucateado, fizemos investimentos em novos equipamentos, perfuração de poços", frisa.

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