Município prepara concurso com nova carga horária
Jacarezinho - No final do ano passado, Jacarezinho perdeu seis médicos do Programa da Saúde da Família (PSF) após a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), que determinou o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais, ou oito horas por dia, nos locais de trabalho, conforme os contratos dos profissionais com os municípios do Norte Pioneiro. Além disso, houve ainda o pedido para instalação de pontos eletrônicos com objetivo de controlar o expediente dos médicos nas unidades básicas de saúde (UBS).
O prefeito de Jacarezinho, Sérgio Eduardo Emygdio de Faria lembra que nove equipes do PSF funcionavam no município de maneira satisfatória, mas os médicos não cumpriam as 40 horas semanais. "Temerosos pela ação da Justiça, seis pediram demissão e houve um abalo nos atendimentos", comenta. Médico, o prefeito de Jacarezinho também teve de trocar o gabinete por atendimentos nos postos de saúde, principalmente durante as férias dos profissionais do programa Mais Médicos, que estão há pouco mais de um ano na cidade.
Faria informa que um processo seletivo foi realizado no ano passado de maneira emergencial com a participação de seis profissionais, no entanto, apenas um médico assumiu o cargo. "Esse processo seletivo por tempo determinado não resolveu o problema. Agora, vamos reduzir a carga horária para 30 horas semanais, mantendo o salário um pouco acima do oferecido por 40 horas semanais. Mas, conforme o PSF, quando você tira um médico de oito horas, é necessário colocar dois de seis horas por dia", afirma.
Um novo concurso público será realizado na cidade com salários de aproximadamente R$ 10 mil. O projeto de lei com as mudanças na carga horária e incremento de subsídios já foi encaminhado à Câmara Municipal de Jacarezinho. "Esperamos uma adesão maior, mas não acredito que vamos atingir nosso objetivo. Então, teremos que partir para tentativa de contratação de três médicos para quatro horas diárias por um período determinado e mantendo o salário atrativo", presume.
Com três médicos no PSF e quatro do programa federal, a cidade tem atualmente sete profissionais na rede básica, no entanto, o município precisa de no mínimo 12 médicos. "Hoje, o médico brasileiro quando sai da faculdade tem outros atrativos para ganhar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por mês. Então, ele quer ganhar um salário patamar. Mas, dificilmente, o município pode pagar R$ 20 mil para o médico por oito horas", avalia. (R.F.)





