Moradores reclamam do excesso de fuligem
Itambaracá Se por um lado a queima da cana-de-açúcar nas lavouras facilita o trabalho de quem faz a colheita com máquina, por outro causa uma série de transtornos para os moradores de cidades próximas às lavouras e contavam que o problema chegaria ao fim com a mecanização da colheita.
As cinzas resultantes das queimadas percorrem longas distâncias, que variam de acordo com a direção e a intensidade dos ventos, podendo chegar a mais de 10 quilômetros do ponto de origem. Os moradores reclamam que os resíduos caem sobre os telhados e quintais das residências, causando muita sujeira. Mas há também as partículas menores, praticamente invisíveis, que causam alergias e problemas respiratórios em parte da população, especialmente crianças e idosos.
O agricultor José Aparecido Martins, produtor de soja e milho, mora no centro de Itambaracá. Ele tem problemas de bronquite e sente a doença agravar nos períodos que acontecem as queimadas nos canaviais.
Martins reclama que as queimadas são feitas quase sempre no começo da noite para que "a população não veja o que está acontecendo". O agricultor ressalta que, além de causar problemas de saúde e sujeira, o pó fino entra até nos carros.
A dona de casa Rosalina Aparecida Pecegueiro também mora no centro da cidade e sofre com a sujeira causada pelos resíduos da queima da cana. Ela conta que às vezes é forçada a retirar as roupas ainda molhadas para evitar que as peças se sujem com o excesso de fuligem, evitando assim, ter de lavá-las novamente.
Rosalina também cita os problemas respiratórios do filho de 14 , que pioram quando há queimadas. "Isto deveria ter sido proibido há muito tempo porque prejudica a saúde da gente", afirma. Ela reclama ainda dos caminhões que atravessam a cidade carregados com cana e que causam bastante poeira e trepidação.
PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS
O médico pediatra Amarildo Aparecido de Souza, que tem clínica em Bandeirantes, afirma que os problemas respiratórios chegam a aumentar em até 40% nas crianças nos dias seguintes às queimadas nas lavouras de cana-de-açúcar, que acontecem geralmente no fim da tarde ou começo da noite.
Segundo ele, a incidência de problemas respiratórios é comum nesta época por causa das alterações climáticas e da baixa umidade do ar, o que obriga os pais a deixarem seus filhos dentro de casa a maior parte do tempo.
Souza diz que os problemas respiratórios aumentam com as queimadas, afetando não apenas as crianças que já possuem histórico de alergias, como aquelas não normalmente não apresentam problemas alérgicos.
O médico orienta que aumentar a ventilação nas casas, deixando portas e janelas abertas, aliada a uma boa hidratação, ajuda a reduzir problemas respiratórios nas crianças. (E.A.)





