Moradores não acreditam que serão atingidos pela doença
No município de Cambará, o auxiliar de escritório Davi Medeiros da Silva, de 18, disse acreditar que um dos problemas no município são os locais com mato alto. "O vento pode carregar lixo para esses espaços, como sacolas plásticas que podem acumular água. Como o mato é alto ninguém consegue ver", apontou.
Em Cambará são pelo menos 279 casos confirmados. A diretora do departamento de Vigilância e Saúde de Cambará, Mari Angélica Miranda Fonseca, disse não saber o que aconteceu para a taxa de incidência ser tão alta. "O trabalho é feito. Temos uma equipe bem comprometida, mas o fato de Cambará possuir muitos lagos e uma geografia que possibilita o acúmulo de água nas baixadas contribui para a formação de criadouros", sugeriu.
Maria Angélica destaca que o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti em janeiro foi de 3,54% e em março foi de 1,31%. "O município faz um índice paralelo mensal que não entra nas estatísticas do Estado. Em abril o IIP foi de 0,92%, uma queda considerável."
O diretor da 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho, Ronaldo Trevisan, responsável pelo município de Cambará, destaca que este ano Cambará foi o único município em que houve registro de epidemia. "No mesmo período do ano passado havia 4 municípios nessa condição. Nós fazemos atividades para forçar esse declínio, mobilizando a população frequentemente, mas não adianta pensar que só o poder público vai resolver. A principal força de combate ao mosquito é a popular."
DE MOLHO
Em Itambaracá, a empregada doméstica Luiza Soares da Silva, 40 anos, ainda não contraiu dengue, mas revelou que agentes de Endemias encontraram, na casa de seu pai, larvas do mosquito em um tambor em que sua irmã deixava a roupa de molho. "Eu nunca imaginaria que pudesse achar larvas ali. Agora a gente está tomando o maior cuidado; a gente fica preocupada", destacou.
A secretária de Saúde de Itambaracá, Célia Maria Santini de Andrade, afirma que o município já vinha de uma epidemia desde o ano passado e que vem tomando providências para reduzir essa taxa. "A gente está fazendo arrastão, visitas, mutirões, palestras educativas em escolas, divulgação com carros de som, mas encontramos dificuldades na conscientização dos moradores que não acreditam que possam ser atingidos pela doença", destacou. (V.O.)





