Moradores criticam falta de investimento no setor
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terça-feira, 17 de julho de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 

Jundiaí do Sul - A falta de serviço de coleta e tratamento de esgoto é uma mostra do subdesenvolvimento de localidades no Estado. Em uma cidade inteira sem acesso à infraestrutura elementar de coleta e tratamento do esgoto, como em Jundiaí do Sul, é possível ver até banheiros com cercados externos, as "casinhas".
A aposentada Eva Maria da Silva, 63, exibe a fossa, de quase dois metros de profundidade, no fundo da casa do filho. A "casinha" divide espaço com cachorros e pintinhos que ali também fazem suas necessidades e se alimentam.
A fossa tem de ser esvaziada com rígida frequência, já que atinge seu máximo com facilidade. "Quando chove é pior, inunda tudo. Vai tudo [a sujeira da fossa] da casa de um vizinho para outro", lamenta Silva.
Maria das Graças, 68, paga mensalmente uma taxa de R$ 25 para a prefeitura esvaziar a fossa de sua residência. "Seria melhor ter esgoto em vez dessas fossas que causam mau cheiro." A água utilizada em tanques e pias de cozinha é despejada nas canaletas de Jundiaí do Sul. "Eu às vezes uso essa água para lavar a calçada, mas não é sempre", admite.
A Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) já possui um poço artesiano que fornece água para cidade, mas, quanto ao esgoto, a empresa ainda está estudando as áreas para a instalação da rede.
Enquanto isso, as "línguas negras", como chamam os moradores da cidade, desembocam na nascente de um ribeirão. "Vai tudo para lá. As fossas também, porque não há nenhuma proteção. Ela [a água] entra pela terra, acha a bacia e vai embora", comenta o caminhoneiro João Colodino.
Segundo ele, os moradores costumam encanar a água suja e lançá-la nas ruas. Há quem jogue direto nos bueiros. "Um tempo atrás uma vereadora pediu que parássemos de jogar água de tanque e pia na rua, mas não deu o suporte. Se você vai fazer alguma coisa tem que dar apoio, não adianta pedir sem dar a opção de onde jogaremos a água", replica.

Reginaldo Rodrigues também critica a falta de saneamento. "Ali para baixo é esgoto bravo, tem até fossa", ao se referir da água que escorre pelas vias da cidade. "É só parar ali perto e já dá para sentir o fedor", destaca. Segundo ele, o saneamento é esperado há muito tempo. "Pagaríamos uma taxa a mais pelo esgoto, mas nos livraríamos dos mosquitos", diz.
Outro aspecto nefasto da questão é a contaminação do lençol freático que abrange o município. "Precisamos urgentemente dessa rede de esgoto, estamos contaminando o lençol e o rio", observa o prefeito Eclair Rauen (DEM). Ele explica que há cinco anos assumiu a gestão interinamente e "deixou tudo arrumado para sair a rede", mas a situação não foi para frente. "Agora eu recomecei essa história", afirma.


