Ibaiti - Natural de Abaeté (MG), Eusébio de Oliveira (1883-1939) formou-se engenheiro civil e geólogo pela Escola de Minas de Ouro Preto, em 1905. Designado pela Comissão do Carvão Nacional, em fins de 1907 assumiu a chefia dos serviços no âmbito do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, do qual se tornou diretor em 1925.

"Geologia do Paraná", "Regiões Carboníferas do Sul" e "Rochas Petrolíferas do Brasil" figuram entre as obras editadas de Eusébio. Sua atuação é analisada por Reinhard Maack (1892-1969) em "Geografia Física do Estado do Paraná".

Introdutor no País da prospecção geofísica de petróleo e outras minerais, por suas convicções Eusébio se tornou alvo de crítica irônica de Monteiro Lobato.

Sócio de uma petrolífera, Lobato via um entrave: se alguém buscasse financiamento para perfurar, "a maior autoridade oficial do Brasil [no setor], o sr. Eusébio de Oliveira" dizia tratar-se de "conto do petróleo", antes comum na América do Norte, "para devorar não menos capitais de incautos".

A uma tentativa, "o bode geológico e mineralógico do Brasil dá o grito dos gansos do Capitólio em entrevistas aos jornais e previne os possíveis "otários" contra a marosca. No Brasil não há petróleo, diz ele." Ora, se nos Estados Unidos e na quase totalidade dos países das três Américas jorrava petróleo, "Por que, santo Deus? Qual o segredo da fúria serbiana contra todos os que se atrevem (…) a fazer aqui o que no mundo inteiro se faz para descobrir petróleo?" — angustiava-se Lobato.

O Brasil tem hoje 228 "campos" de petróleo em terra, que participam com apenas 9,11% da produção total do País; dos 82 poços no mar se extraem os 90%. Faz parecer que, lá atrás, Eusébio estava certo, pois furava-se só em terra. Áreas inicialmente consideradas potenciais no Norte Pioneiro (Ribeirão Claro, Jacarezinho e São Jerônimo da Serra), revelaram-se inviáveis mais tarde. (W.S.)

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