Mitsuru, desde a origem da Seicho-No-Ie no Brasil
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Widson Schwartz <br>Especial para a Folha 
Miyoshi Matsuda fundou a 1. Associação dos Moços da Seicho-No-Ie no Brasil há 70 anos, presumindo-se que tenha sido, por extensão, a célula inicial dessa filosofia na América Latina. Teve lugar na gleba Amora Preta, em Ibaiti, então isolada e por desbravar, aonde Mitsuru Takahashi passou a frequentar a Academia de Treinamento Espiritual de Jovens, instituída em 1946, objetivo seguinte dos irmãos Daijiro e Miyoshi Matsuda.
''Acho que o único que ficou sou eu'', supõe Mitsuru, o conhecidíssimo ''Paulinho'' do bazar, aos 77 anos. Seu amigo Sinojo (''Odilon'') Hassunuma, antes a memória mais longeva da Seicho-No-Ie em Ibaiti, morreu em 2011, aos 92 anos.
Paulinho e Odilon, personalidades do 14.º Seminário de Gratidão aos Pioneiros da Seicho-No-Ie, dia 24 próximo, em Amora Preta. É onde está o marco referente a 11 de fevereiro de 1942, quando o ''professor Miyoshi Matsuda fundou aqui a 1. Associação dos Moços da Seicho-No-Ie do Brasil''. Evoca, a seguir, a formação de líderes a partir de 1946: ''a Academia outrora (...) neste local constituiu a base do movimento de iluminação do Brasil e ficará imortalizada nas páginas da história da Seicho-No-Ie. Lembrando ainda que, na época, houve valiosa colaboração das vinte e poucas famílias adeptas aqui residentes.''
Atualmente a área pertence à Fazenda Fortaleza Velha, da família Gonçalves, e o memorial, construído em 1981, ficou abandonado por algum tempo, motivo para que fosse declarado Patrimônio Público Municipal em 1997, por iniciativa dos então vereadores Gilmar Cândido e Luiz Carlos dos Santos.
Fundada em 1930 no Japão, por Masaharu Taniguchi, a Seicho-No-Ie (''Lar do progredir infinito'', em tradução livre) ''prega que o ser humano é filho de Deus, que o mundo da matéria é projeção da mente e, também, revela qual é a nossa verdadeira natureza'', consta entre suas definições. ''É uma filosofia que transcende o sectarismo religioso, pois acredita que todas as religiões são luzes de salvação que emanam de um único Deus.''
Miyoshi Matsuda a conheceu quando já estava no Brasil, por intermédio de um imigrante que trouxera livros de Taniguchi. Atualmente, a Seicho-No-Ie tem 4.500 pontos de reuniões no Brasil, estimando-se 130 mil frequentadores regulares. No Paraná, o Dia da Seicho-No-Ie é 22 de novembro, conforme lei estadual; e em São Paulo, 15 de agosto, por lei municipal.
Nascido na ilha Goshourá, Província de Kumamoto (20.12.1911), Miyoshi Matsuda veio para o Brasil em setembro de 1931, indo trabalhar na agricultura com o irmão Daijiro, no Estado de São Paulo. Casado, teve sete filhos. Morreu em 4 de junho de 2000.
Recordando a Academia
Mitsuru (''Paulinho'') Takahashi recorda ter frequentado a Academia ''por volta de 1950'', em período noturno, ''da minha casa até lá eram quatro quilômetros, a pé, levando um lampião a querosene e fósforos, o vento batia e apagava a chama''. O professor Miyoshi admirava o discípulo, pela aplicação nos estudos filosóficos e aprendizado de de sumô entre outras lutas esportivas.
Paulinho usa as mãos fechadas, como boxeador, apenas aproximando-as, para ilustrar conquistas, entre as quais o casamento harmonioso: ''Estou com minha mulher há 50 anos e nunca batemos''. Afirma ter absorvido na Seicho-No-Ie o dom de harmonizar, que, por vezes, depende de uma ou outra palavra, ''desculpe'', ''perdão''; de se considerar alguém por uma virtude e assim despertá-la para o melhor que possui.
''Estou nesse ponto há 40 anos e não tenho uma inimizade sequer'', situa-se em termos do seu estabelecimento comercial, no centro da cidade. ''Esse lugar, Deus me deu'', afirma. Conta que parecia impossível comprar o imóvel, até pela falta do dinheiro, mas o então proprietário tanto insistiu e concedeu prazo, que o negócio acabou saindo. ''Ele, Deus, me empurrou.''
A Academia tinha espaço na residência das famílias de Daijiro e Miyoshi Matsuda, uma casa de madeira ampliada com piso superior, quartos em cima e embaixo, também para abrigar temporariamente estudantes que vinham de longe. ''Nasci lá, em 1942'', recordou em 2009 o professor Masao Matsuda, um dos sete filhos de Miyoshi, atuando na sede central da Seicho-No-Ie, em São Paulo.
Restou uma parte da casa, finalmente demolida há cerca de três anos. Cogita-se a construção de uma réplica em espaço contíguo ao do memorial, informou Sérgio Prestes, do núcleo regional da Seicho-No-Ie em Wenceslau Braz. A expectativa é de que 600 adeptos compareçam ao seminário no dia 24, promovido também pala regional de Ourinhos e a sede central da Seicho-No-Ie, em São Paulo.
Os seminários anteriores de gratidão aos pioneiros também se realizaram no memorial, erguido num quadrilátero com jardim, parte do espaço maior reservado à Seicho-No-Ie, onde há também uma área coberta.


