Mineiros e paulistas na porta do far west
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
Essa terra é boa não é por falar, só não acredita quem não foi por lá, proclamava um sucesso musical no início da década de 1950, Paraná do Norte, sugerindo dois Estados. Mas o Norte era um só de Santo Antônio da Platina, passando por Londrina e chegando a Maringá, entre as cidades mencionadas na letra da música.
Segundo o historiador Shigeki Ikeda, Cambará foi a porta no Norte do Paraná para os japoneses, considerando-se as primeiras famílias na Fazenda Água do Bugre, em 1915, e as oportunidades que elas tiveram ali para serem independentes e comprar terra. Além do reconhecimento específico de uma etnia, Cambará foi o portão de ouro do Norte do Paraná, segundo o ex-prefeito Milton Paschoalino.
E outros portais. Nos primeiros anos 30, os verdadeiros bandeirantes (...) que pretendiam desbravar o sertão bruto encontravam em Jacarezinho a cidade ideal para (à) deixar seus filhos protegidos dos perigos que a mata reservava, segundo Celso Antônio Rossi na história do centenário da Comarca. Já existiam o Colégio Cristo Rei e o da Imaculada Conceição (internatos) e o Ginásio Estadual Rui Barbosa.
Onde tudo começou pode ser a expressão-síntese da importância do Norte Pioneiro para macrorregião Norte-Noroeste, cuja influência cafeeira agregaria a faixa de transição para oeste, totalizando 172 municípios. Era o far west paranaense, segundo Edmundo Mercer.
Aos 50 anos (1925-1975) desde o tráfego do primeiro trem no trecho Ourinhos-Cambará, 158 municípios ocupando apenas 67 mil quilômetros quadrados, entre o Norte de Jacarezinho e o extremo-oeste, produziam 95,9% do algodão, 94% do amendoim, 59,2% do arroz, 91,7% do café e 68% da cana-de-açúcar no Estado (199,3 mil quilômetros quadrados), conforme dados oficiais.
Os porcentuais correspondiam plenamente à fama da terra, que vinha de há muito tempo, presumivelmente desde que Domiciano Corrêa Machado e sua gente deixaram o rincão no sul de Minas Gerais para fundar, em 1848, São José do Cristianismo, na confluência dos rios Jaguariaíva e Pescaria.
Mais de uma vez Domiciano voltou a Minas fazendo propaganda da fertilidade do solo e 20 anos depois, o patrimônio foi elevado a distrito judiciário, com 3.500 habitantes. E outro núcleo havia surgido, duas léguas acima: São José da Boa Vista. Este progrediu tanto que causou a estagnação do anterior, passou a sede do distrito em 1875 e a município um ano depois, abrangendo uma outra povoação, que se originara em 1863, Colônia Mineira.
Fato paralelo em 1875. Ao constituir a Companhia Pastoril, Agrícola e Industrial, Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, recebera o levantamento, a cargo de 16 engenheiros ingleses e suecos contratados por ele e seus sócios, para definir um sistema misto de vias férreas e fluviais, se pelo vale do Iguaçu, do Ivaí ou do Tibagi, para ocupar o Norte do Paraná e atingir Mato Grosso.
Partindo-se do mesmo ponto poder-se-ia chegar, exclusivamente por linhas férreas, às riquíssimas terras do Norte do Paraná e do Noroeste de São Paulo, escreveu Fernando de Azevedo em seu livro Um trem corre para o oeste. Entretanto, sucedeu o desentendimento com investidores ingleses e a falência de Mauá, em 1878. Nesse ano, os mineiros liderados pelo major Thomaz Pereira da Silva consolidam o patrimônio, origem de Tomazina, e intensificam a ocupação entre a margem esquerda do Paranapanema e toda a extensão do Cinzas.


