Jacarezinho - Presidente da Associação Médica Regional de Santo Antônio da Platina, vice-prefeito do município e ex-presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, o médico Jorge Cendon Garrido desaprova o não cumprimento da carga horária pelos clínicos, mas expõe as dificuldades que a categoria enfrenta.
"É injusto assinar por um contrato e não cumpri-lo, mas mais injusto ainda é a quantia que as prefeituras pagam para um profissional tão importante para a sociedade. Um clínico geral tem no mínimo 17 de anos estudo para exercer a profissão, portanto deve ter uma carga horária diferenciada", defende.
Para o cardiologista, uma somatória de obstáculos dificulta o cumprimento de carga horária dos médicos na região. "Faltam médicos no mercado, tanto que o governo contratou profissionais de outros países para suprir esta demanda. Obrigá-los a fazer a carga horária não irá efetivamente beneficiar as consultas, pois dificilmente profissionais de qualidade aceitariam trabalhar por oito horas seguidas com o salário que as prefeituras pagam. Os médicos teriam interesse em cumprir carga horária se salário fosse melhor", avalia.
De acordo com Garrido, o salário médio de um clínico geral contratado pelo PSF para trabalhar em postos de saúde é de R$ 4 a R$ 5 mil mensais. Em contrapartida, um plantonista num hospital recebe cerca de 50% desses valores por 24 horas de trabalho. "É necessário que exista um plano de cargos e salários para oferecer segurança e incentivar os médicos a cumprirem os contratos", opina. (A.D.)

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