Santo Antônio da Platina - Parte do corpo clínico do Hospital Regional do Norte Pioneiro, com sede em Santo Antônio da Platina, ameaça entrar em greve a partir do dia 1º de fevereiro devido a falta de pagamento salarial.
Três profissionais da área de ortopedia comunicaram oficialmente, há cerca de uma semana, a direção do hospital sobre a paralisação. Além deles, outros sete médicos da ala de obstetrícia também estão sem receber e ameaçam entrar em greve. Segundo eles, os pagamentos dos contratos de trabalho (salários) não são pagos desde novembro. Extraoficialmente, outros 27 profissionais também alegam atraso de salários e pretendem engrossar a paralisação. Na semana passada, outros oito médicos plantonistas da UTI neonatal também estavam com os salários atrasados, mas receberam o pagamento na última sexta-feira.
O atendimento a população ainda não foi prejudicado, mas, segundo um dos médicos que não quis se identificar, esta é a última semana de prazo para a administração do hospital quitar os pagamentos. "Nós estamos cumprindo a nossa parte; estamos trabalhando nos plantões, mas são quase três meses de atraso, sendo assim iremos entrar em greve caso não seja acertado nossos pagamentos", afirmou o médico.
Os médicos do Hospital Regional trabalham mediante contrato de trabalho e o pagamento dos profissionais é feito com o repasse específico do governo do Estado para o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), órgão que administra o hospital. Os pagamentos atrasados, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2013 e janeiro de 2014, somam R$ 831 mil.

"Problema passageiro"
Em uma visita feita à região na última sexta-feira, o secretário estadual de Saúde, Michele Caputo, confirmou que houve atraso no repasse de verbas pelo governo estadual e avaliou a situação. "Em todos estes anos o governo do Estado nunca atrasou pagamentos do Hospital Regional, foi um problema passageiro que já está sendo resolvido, pois temos prevista uma verba de R$ 200 mil para resolver o atraso de salários. Mesmo assim, o hospital não deve ser de responsabilidade só do Estado, o consórcio tem outras receitas e deveria reservar contingências para que os profissionais não fiquem sem salário", declarou.
Em nota oficial, o presidente do Cisnorpi, João Mattar Olivato, explicou que mantém com o governo do Estado um convênio de administração do Hospital Regional para os pagamentos das empresas prestadoras de serviços médicos e que o funcionamento do consórcio e suas unidades é a soma de esforços dos entes federativos, como a União, os municípios com as cotas de participação per capta e o Estado com o apoio em convênios e outros incentivos.
Olivato confirmou ainda os atrasos nos pagamentos originários do convênio estadual com o Cisnorpi para o Hospital Regional desde 2013 e que consórcio esgotou suas reservas técnicas para a manutenção regular de funcionamento do hospital, já que possui outras unidades ambulatoriais e programas para manter no Norte Pioneiro.
O presidente do Cisnorpi manifesta ainda a compreensão com a manifestação das empresas e seus profissionais médicos que prestam serviços ao hospital e que acredita na rápida regularização nos pagamentos pela Secretaria Estadual de Saúde.

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