Londrina - A mecanização na produção e colheita do café pode ser uma alternativa para o cafeicultor paranaense reparar os prejuízos com as geadas ocorridas no final de julho. Um estudo elaborado em conjunto pelas cooperativas, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Instituto Emater foi encaminhado a Secretaria Estadual da Agricultura. "O trabalho prevê um plano de adaptação à tecnologia do café voltado à realidade atual, que certamente passará pela mecanização", disse o gerente da Câmara Setorial do Café, Walter Ferreira de Lima. Ele enfatizou a necessidade de levar solução para os 12 mil cafeicultores do Estado, dos quais 90% são agricultores familiares.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, usará o estudo para encaminhar pedidos de auxílio ao governo federal, como linhas de crédito e apoio para a erradicação das lavouras velhas e incremento da mecanização, se essa necessidade for apontada pelo estudo.
O estudo sobre a mecanização leva em conta o preço baixo do café no mercado e a necessidade do agricultor reduzir custos com mão de obra. Segundo o coordenador estadual de Café da Emater, Cilesio Abel Demoner, o agricultor só animará a adotar novas tecnologias se enxergar que esse período difícil pode ser superado e será compensado à frente.
Perdas
O resultado da cultura para este ano não deve ser alterado e está mantida a previsão de produção de 1,7 milhão de sacas, sendo que metade desse volume já foi colhida.
Levantamento preliminar do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento estima perdas de até 51% na produção de café do ano que vem no Estado, em função das geadas que atingiram as plantas em, praticamente, todos os municípios que cultivam café no Estado. "O prejuízo pode chegar a um milhão de sacas, que deixarão de ser produzidas na próxima safra no Paraná", informou o economista do Deral, Paulo Franzini.
Ele disse que 80% dos 82.300 hectares ocupados com café no Estado foram atingidos. As regiões mais atingidas localizam-se entre Apucarana, Ivaiporã, Londrina e Maringá. No Norte Pioneiro e Noroeste também geou, mas em menor intensidade. Dirigentes de cooperativas que participaram da reunião relataram prejuízos nos vários municípios, sendo que em alguns deles as perdas podem atingir até 90% da produção do ano que vem.
O gerente da Câmara Setorial do Café afirmou que o agravante da situação é que o produtor ficará sem a renda do café por pelo menos dois anos, uma vez que terá colheita apenas em 2015. Dependendo da gravidade, haverá a necessidade de "recepar" as plantas atingidas, o que significa que mesmo em 2015 ainda não haverá uma safra normal.

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