Mecanização invade as lavouras de cana-de-açúcar
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terça-feira, 19 de julho de 2011
Marcos André de Brito<br>Especial para a FOLHA 
Cornélio Procópio - A partir desta safra, a maior usina de açúcar e álcool do Norte Pioneiro, a Usiban, de Bandeirantes, está contratando um número bem menor de cortadores de cana. A diminuição nos postos de trabalho nesse período pode ser explicada pelas mudanças nos processos técnico-produtivos e pelo avanço das inovações tecnológicas. Modificações na composição da agricultura para culturas como a cana-de-açúcar, que demandam tecnologias mais avançadas, também foram determinantes para o aumento do desemprego em toda a região. A categoria mais afetada pela mecanização são os trabalhadores temporários, também conhecidos como volantes ou bóias-frias.
Devido à modernização dos métodos de produção, foram nos anos 1990 que ocorreram as mudanças mais significativas na ocupação agrícola. Hoje uma colheitadeira chega a substituir o trabalho manual de até 100 indivíduos e, como a mecanização da colheita da cana também acompanhou a evolução da área plantada, qualquer modificação nesse setor tem impacto direto na força de trabalho. Hoje, as seis Usinas de Açúcar e Álcool do Norte Pioneiro empregam cerca de 9 mil trabalhadores no corte de cana.
Para o presidente da Associação dos Fornecedores e Plantadores de Cana Paranapanema (Canapar), de Jacarezinho, Paulo Buso, a cana-de-açúcar foi eleita como a fonte mais promissora da agroenergia do planeta para mitigação do aquecimento global, pois já fabrica em escala industrial o etanol de maior competitividade no mercado. Já o paradoxo de que seu processo produtivo tenha como foco uma nova matriz energética sustentável, e ao mesmo tempo uma exploração da força de trabalho considerado a mais degradante do meio rural, Buso explica que as Usinas pretendem transformar os cortadores em profissionais do corte. Ou seja, mesmo considerando que a vantagem brasileira na produção do etanol seja a disponibilidade de terras, a liquidez abundante de capitais e uma indiscutível competência tecnológica criada desde a implantação do Pró-Álcool, deve-se construir um projeto social para a condução do processo, de tal forma que a lógica do lucro não faça da agenda sustentável uma fonte adicional de desequilíbrios, afirma o presidente da Canapar.


