Cor­né­lio Pro­có­pio - A par­tir des­ta sa­fra, a ­maior usi­na de açú­car e ál­cool do Nor­te Pio­nei­ro, a Usi­ban, de Ban­dei­ran­tes, es­tá con­tra­tan­do um nú­me­ro bem me­nor de cor­ta­do­res de ca­na. A di­mi­nui­ção nos pos­tos de tra­ba­lho nes­se pe­río­do po­de ser ex­pli­ca­da pe­las mu­dan­ças nos pro­ces­sos téc­ni­co-pro­du­ti­vos e pe­lo avan­ço das ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas. Mo­di­fi­ca­ções na com­po­si­ção da agri­cul­tu­ra pa­ra cul­tu­ras co­mo a ca­na-de-açú­car, que de­man­dam tec­no­lo­gias ­mais avan­ça­das, tam­bém fo­ram de­ter­mi­nan­tes pa­ra o au­men­to do de­sem­pre­go em to­da a re­gião. A ca­te­go­ria ­mais afe­ta­da pe­la me­ca­ni­za­ção são os tra­ba­lha­do­res tem­po­rá­rios, tam­bém co­nhe­ci­dos co­mo vo­lan­tes ou ­bóias-­frias.
  De­vi­do à mo­der­ni­za­ção dos mé­to­dos de pro­du­ção, fo­ram nos ­anos 1990 que ocor­re­ram as mu­dan­ças ­mais sig­ni­fi­ca­ti­vas na ocu­pa­ção agrí­co­la. Ho­je uma co­lhei­ta­dei­ra che­ga a subs­ti­tuir o tra­ba­lho ma­nual de até 100 in­di­ví­duos e, co­mo a me­ca­ni­za­ção da co­lhei­ta da ca­na tam­bém acom­pa­nhou a evo­lu­ção da ­área plan­ta­da, qual­quer mo­di­fi­ca­ção nes­se se­tor tem im­pac­to di­re­to na for­ça de tra­ba­lho. Ho­je, as ­seis Usi­nas de Açú­car e Ál­cool do Nor­te Pio­nei­ro em­pre­gam cer­ca de 9 mil tra­ba­lha­do­res no cor­te de ca­na.
  Pa­ra o pre­si­den­te da As­so­cia­ção dos For­ne­ce­do­res e Plan­ta­do­res de Ca­na Pa­ra­na­pa­ne­ma (Ca­na­par), de Ja­ca­re­zi­nho, Pau­lo Bu­so, a ca­na-de-açú­car foi elei­ta co­mo a fon­te ­mais pro­mis­so­ra da agroe­ner­gia do pla­ne­ta pa­ra mi­ti­ga­ção do aque­ci­men­to glo­bal, ­pois já fa­bri­ca em es­ca­la in­dus­trial o eta­nol de ­maior com­pe­ti­ti­vi­da­de no mer­ca­do. Já o pa­ra­do­xo de que seu pro­ces­so pro­du­ti­vo te­nha co­mo fo­co uma no­va ma­triz ener­gé­ti­ca sus­ten­tá­vel, e ao mes­mo tem­po uma ex­plo­ra­ção da for­ça de tra­ba­lho con­si­de­ra­do a ­mais de­gra­dan­te do ­meio ru­ral, Bu­so ex­pli­ca que as Usi­nas pre­ten­dem trans­for­mar os cor­ta­do­res em pro­fis­sio­nais do cor­te. Ou se­ja, mes­mo con­si­de­ran­do que a van­ta­gem bra­si­lei­ra na pro­du­ção do eta­nol se­ja a dis­po­ni­bi­li­da­de de ter­ras, a li­qui­dez abun­dan­te de ca­pi­tais e uma in­dis­cu­tí­vel com­pe­tên­cia tec­no­ló­gi­ca cria­da des­de a im­plan­ta­ção do Pró-Ál­cool, ‘‘de­ve-se cons­truir um pro­je­to so­cial pa­ra a con­du­ção do pro­ces­so, de tal for­ma que a ló­gi­ca do lu­cro não fa­ça da agen­da sus­ten­tá­vel uma fon­te adi­cio­nal de ­desequilíbrios’’, afir­ma o pre­si­den­te da Ca­na­par.

mockup