Santo Antônio da Platina – As agressões sofridas pelos professores de policiais militares na semana passada, no Centro Cívico, em Curitiba, ainda tem repercutido entre a classe no Norte Pioneiro. No início da semana, cerca de 300 professores participaram de uma caminhada pelo centro de Santo Antônio da Platina em sinal de protesto também pela aprovação dos deputados nas alterações na ParanáPrevidência.
Vestidos de preto, os professores percorreram as principais ruas da cidade carregando faixas com frases em defesa da categoria e entoando palavras de ordem contra o governador Beto Richa por conta da ação truculenta da PM.
A manifestação de repúdio contra o governador, segundo o professor Aguinaldo Roberto do Carmo, não é somente pela violência em Curitiba, mas principalmente pelos compromissos firmados durante a campanha eleitoral pelo tucano que até agora não foram cumpridas. "A violência que sofremos em Curitiba é um capítulo a parte. No discurso antes das eleições a educação teria prioridade em seu governo, depois de reeleito a pasta só é importante para quitar o rombo nos cofres do Estado? São mais de R$ 8 bilhões conquistados com o suor dos professores. Quem garante que esse recurso retornará à ParanáPrevidência. Não estamos aqui por salários, mas sim por direitos adquiridos", frisou.
A promessa de recursos para a manutenção do Colégio Estadual Rio Branco, o maior no Norte Pioneiro, também foi lembrada pelo professor. "Desde a gestão passada o governador prometeu liberar recursos para manutenções emergências. O colégio está caindo por conta das rachaduras, e quando chove os alunos não podem se alimentar porque a cantina está interditada. Mesmo com um laudo técnico em mãos atestando todos os problemas nenhuma iniciativa foi tomada até agora. É por essas e outras razões que continuaremos lutando", concluiu.

VÍTIMA DA VIOLÊNCIA
O protesto teve também a participação da professora Elaine Antunes, uma das vítimas na ‘guerra’ que se instalou em frente à Assembelia Legislativa, na semana passada. Ela ainda carrega no corpo as marcas da violência, mas a ferida maior, segundo a pedagoga "jamais irá cicatrizar". "As marcas causadas pelas agressões e pelos tiros de borracha o tempo cicatriza, mas a dor moral será eterna. Foi uma violência desproporcional e desnecessária. A ordem foi dada e os policiais avançaram contra os professores. Fui agredida por exigir os direitos da categoria para garantir o futuro de nossas crianças. Jamais imaginaria um dia ser recebida daquele jeito pela autoridade maior do Estado", lamentou.
Elaine está processando o Estado e o governador Beto Richa pelos danos que sofreu durantes as manifestações em Curitiba.

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