Cornélio Procópio – Grande parte dos prefeitos que integram a mesorregião da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) apoiam as medidas do governo federal que visam assegurar a presença de médicos em áreas carentes do País. Eles aprovam a ampliação do tempo de graduação do curso de Medicina de seis para oito anos para que os estudantes, munidos de registro provisório, prestem atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) nos dois últimos anos do curso, bem como a contratação de formandos, inclusive estrangeiros para a prestação do serviço.
Segundo os prefeitos da região, as medidas devem resgatar o direito à saúde na grande maioria das cidades pequenas, que sofrem com a falta destes profissionais, principalmente especialistas em várias áreas. Segundo o Ministério da Saúde, 35 municípios do Paraná foram habilitados para receber os profissionais do programa federal. Nesta primeira fase do programa, duas cidades do norte do Estado, Londrina e Rolândia, foram contempladas. A expansão dos cursos de Medicina no País prevista no Mais Médicos também vai permitir a abertura de 400 novas vagas no Paraná.
"Se mais médicos vierem trabalhar em nosso hospital, certamente, vamos reduzir o envio de ambulâncias com pacientes para os grandes centros, ofertando um tratamento mais humanizado, mais próximo das famílias", afirmou o prefeito de Santo Antônio do Paraíso, Devanir Martinelli (PV). A cidade conta com um hospital municipal com 13 leitos, um médico clínico geral, um pediatra que atende uma vez por semana e três plantonistas que se revezam para cumprir os horários. Os casos mais graves são encaminhados para hospitais de Cornélio Procópio, Londrina e Curitiba.
Para o prefeito de Congonhinhas, José Olegário (PSBD), a transferência de médicos para atender o interior é necessária e muito oportuna. A exemplo de Santo Antônio do Paraíso, o município mantém um hospital municipal com 10 leitos e três médicos que se revezam nos plantões e no atendimento diário. A falta de especialistas só não é pior porque o Consórcio Intermunicipal de Saúde de Cornélio Procópio (Cisnop) dispõe destes profissionais. "Só que temos que transportar os doentes para o Cisnop para consultas e atendimentos especializados em Londrina, e até mesmo em Curitiba. É um desgaste muito grande, um risco iminente de acidentes e outros problemas", destaca Olegário.
Em Leópolis, a situação da área de saúde é ainda mais complicada porque o município não possui hospital. Apesar de quatro médicos contratados para atender nos três postos de saúde, a demanda é grande e a estrutura insuficiente. A prefeita Cléa Márcia de Oliveira (PDT) espera que o programa Mais Médicos entre em vigor o mais rápido possível e a cidade beneficiada. "Se este programa for realmente levado para as comunidades carentes, nosso País vai dar um salto muito importante na saúde, que hoje anda muito doente", disse a prefeita.

Contrário
O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), Celso Silva (PDT), prefeito de Bandeirantes, afirmou que é radicalmente contra a transferência de médicos para atender as comunidades carentes. Segundo ele, a medida é paliativa e não vai resolver os graves problemas da saúde no País. "Esta medida não tem efeito prático e é muito complexa. O problema é mais de estrutura do que de profissional. Falta logística e não há estrutura que suporte este programa. Tudo isto sem contar que os municípios terão que arcar com as despesas de moradia e alimentação destes médicos, o que é proibido hoje pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não entendo como isto será possível", alerta o presidente da Amunop.

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