''Falo sobre o caso porque não quero que outras famílias passem por situação parecida. Graças à educação que dou aos meus filhos, ela teve a atitude correta de sair de perto ao ver aquilo (partes íntimas). O policial que foi ver o que estava acontecendo foi um anjo para minha menina'', relembrou a mãe da adolescente de 13 anos, que na manhã do último dia 2 teria presenciado o padre Reginaldo Antônio Gheorgolet de calças abaixadas mostrando suas partes íntimas na cidade de Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro). O religioso chegou a ser detido, mas foi liberado em seguida após pagar fiança.
A mãe explica que havia pedido para a filha lhe fazer um favor e no caminho um automóvel parou ao lado da menina para pedir informações, quando a jovem se aproximou do carro notou algo estranho e pediu por ajuda. ''Isso ela mesma relatou à polícia. Quando chegamos à delegacia, o padre quis lhe pedir perdão e (ele próprio) disse que não se perdoaria porque isso não se faz'', conta.
A mãe acrescentou que o caso mexeu muito com a família, sobretudo por envolver um membro de um instituição religiosa. Ela afirmou ainda que a atitude correta da filha e a preocupação em denunciar o caso devem servir de exemplo para quem passar por situação semelhante. ''Mostra também que caráter independe de classe social ou posição que ocupa'', diz a doméstica.
Ela defende ainda que talvez fosse interessante para a Igreja repensar o voto de celibato, que proíbe os padres de ter uma vida conjugal.
A família ainda não decidiu se irá acionar juridicamente o padre Gheorgolet. A mãe da jovem adiantou que a decisão será tomada em conjunto com os familiares e que esta possibilidade não está descartada.

Suspensão
Em nota divulgada no dia 3 de janeiro, o bispo diocesano de Jacarezinho, Dom Antônio Braz Benevente - responsável pela região em que ocorreu o fato - informou que foi decretada a suspensão do padre Ghergolet por tempo indeterminado. A decisão foi tomada após consulta ao Conselho Episcopal e ao Tribunal Eclesiástico de Londrina. A nota esclarece ainda que será de responsabilidade do padre o ônus de sua defesa em âmbito civil.
Procurado pela FOLHA, o Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Londrina informou que seus membros estão em recesso e devem retomar suas atividades em fevereiro.
A reportagem tentou localizar o padre Ghergolet, mas não conseguiu contato. Ele havia pertencido à Paróquia de Joaquim Távora e atualmente estava em um seminário em Jacarezinho. Segundo informações, Gheorgolet possui parentes em Abatiá, cidade vizinha de Ribeirão do Pinhal.

Veja Também:

Moradores comentam o crime

- Justiça avalia denúncia criminal

mockup