Lixões a céu aberto, uma dura realidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de junho de 2012
Wilhan Santin<br>Especial para FOLHA 
Montanhas de lixo, urubus, moscas, mau cheiro. No meio disso, homens, mulheres e até crianças fazendo um verdadeiro garimpo em busca de algo - geralmente materiais recicláveis, como garrafas Pet e alumínio - que possa render algum dinheiro. Essa é a realidade que pode ser encontrada em quase todos os municípios do Norte Pioneiro, que ainda operam lixões a céu aberto ou aterros controlados que funcionam de forma irregular. São raras as exceções.
Levantamento feito pela FOLHA junto às regionais de Cornélio Procópio e Jacarezinho do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), cada uma delas responsável por 23 municípios, mostra que, dos 46 municípios totais, 21 não possuem sequer licença de operação ambiental válida para o local onde destinam o lixo. Vários outros municípios, apesar de possuírem licença ambiental prévia ou de operação, operam aterros controlados nos quais o lixo é enterrado sem critérios, com materiais recicláveis misturados aos orgânicos e rejeitos.
Auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizada em 2011 e divulgada no mês de fevereiro mostra que, de todo o Norte Pioneiro, somente 11 municípios estão em condições melhores, com aterros que podem ser chamados de sanitários.
Em agosto de 2014, de acordo com o que dita a Lei Federal 11.235, que institui a política nacional de resíduos sólidos, vence o prazo para que os municípios deixem de destinar o lixo de forma incorreta. Todos deverão contar com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.
Família Brasil
Além do prejuízo ambiental causado pela destinação negligente do lixo, os municípios veem também um grande prejuízo social em seus lixões ou aterros irregulares. Sem outra opção de renda, catadores enfrentam a situação insalubre de trabalho em busca de recicláveis.
É o caso da família de Gilberto Brasil, 42 anos. Ao lado da mulher, Vivaldete, 40; do filho Wesley, 18; do pai, Joel, 63; e do sobrinho Milton, 22; ele garimpa no lixão de Nova Fátima faz três anos, apesar de morar em Cornélio Procópio. A rotina de trabalho dos Brasil vai das 7h30 às 18h30.
Catam materiais que interessem às indústrias que trabalham com reciclagem. A renda, ele diz, é suficiente para viver. Sobre as condições de trabalho, resignação. ''O pobre acostuma com tudo'', responde Gilberto Brasil.
No lixão de Cambará, mulheres e crianças correram ao avistar a chegada da reportagem. Passaram por uma cerca de arames nos fundos do local e se esconderam em uma plantação de cana-de-açúcar. Os demais catadores que permaneceram no local não quiseram conceder entrevista. (leia mais sobre Cambará nesta página).


