Lixo da região tem destino incorreto
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terça-feira, 18 de junho de 2013
Eli Araujo<br>Reportagem Local 
Cornélio Procópio e Jacarezinho - Cerca de 70% da população do Norte Pioneiro destina o lixo produzido de forma irregular. A conclusão está no ''Relatório da Situação da Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos no Estado do Paraná''. O documento foi produzido por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em 2012 e divulgado na semana passada. A elaboração deste estudo está prevista na Lei Nacional de Resíduos Sólidos.
Os estudos se basearam no licenciamento ambiental estadual e o critério foi a existência ou não de licença ambiental de operação do IAP. As áreas com licença de operação vigente ou com requerimento de renovação devidamente protocolada no IAP foram definidas como áreas de aterro sanitário. Já as locais sem a devida autorização foram considerados inadequados ou identificados como lixão ou aterro controlado.
O relatório mostra a situação de todos os 21 escritórios regionais do órgão no Paraná. O Norte Pioneiro tem dois escritórios, um em Cornélio Procópio e outro em Jacarezinho.
Segundo o levantamento, 74,8% da população dos municípios sob a jurisdição da regional de Cornélio Procópio destinam o lixo produzido de forma irregular. Na de Jacarezinho, este índice cai levemente para 67,9%. Nas duas regionais, mais de dois terços dos municípios não atendem às exigências mínimas necessárias para destinação correta do lixo.
O levantamento do IAP mostra que a situação do Norte Pioneiro é inversamente proporcional à média do Estado. De acordo com o estudo, 70% da população paranaense é atendida por aterros devidamente licenciados. Portanto, 70% da população do Norte Pioneiro faz parte dos 30% restantes dos moradores que não destinam o lixo corretamente no Paraná.
Segundo o diagnóstico, 185 municípios (46,4%) encaminham seus resíduos para aterros sanitários devidamente licenciados; 121 municípios (30,3%) destinam para áreas de aterros controlados, que possuem apenas o mínimo necessário de controle ambiental, e os outros 93 (23,3%) levam seus resíduos para áreas de lixão a céu aberto. ''É um estudo exclusivamente técnico que nos dá a real noção de onde e como precisamos evoluir para atender a política nacional de resíduos sólidos até 2014. Para isso, é necessária uma ação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal'', afirma o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.
Consórcios
A engenheira ambiental Flávia Veronesi Deboni, que coordenou o estudo, diz que as regiões do Estado que alcançaram os melhores percentuais são exatamente as áreas que se organizaram em consórcios ou que deram destinação conjunta dos resíduos.
A formação de consórcios, que é apontada pela Lei de Resíduos Sólidos como uma solução para o problema e prioridade para a liberação de recursos, nem está sendo discutida entre os prefeitos e não há nenhuma mobilização neste sentido das entidades que representam as prefeituras. O assunto também nem entrou na pauta das últimas reuniões das duas associações de municípios do Norte Pioneiro.
A reportagem da FOLHA constatou que a maior parte dos prefeitos da região está desinformada sobre o assunto. "Até parece que os prefeitos estão esperando que as coisas caiam do céu", diz o gerente do escritório regional do IAP em Cornélio Procópio, Devanil José Bonni.
O governo estadual lançou, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o Programa Paraná sem Lixões, que prevê a erradicação de 214 áreas irregulares. O governador Beto Richa (PSDB) garantiu que o Estado dará o apoio necessário para que todos os municípios façam a destinação correta de seus resíduos sólidos.

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