Lei é branda, diz engenheiro agrônomo
Itambaracá As queimadas em lavouras de cana-de-açúcar na região, sejam autorizadas ou não, preocupam o engenheiro agrônomo Yochiharu Outuki, de Itambaracá. Segundo ele, o Estado, que é o quarto maior produtor de cana-de-açúcar do País, está atrasado em relação ao controle das queimadas nos canaviais em comparação com o maior produtor, o Estado de São Paulo.
O engenheiro argumenta no estado vizinho o fim das queimadas nos canaviais está bem próximo do fim. Atualmente a colheita sem queimadas ocorre em 90% das lavouras. O acordo firmado entre o governo paulista e os usineiros determina 0 ano ded 2015 como prazo final. "No Paraná as queimadas continuam acontecendo de forma indiscriminada", lamenta em tom de denúncia.
Yochiharu defende a necessidade de mudanças na legislação do Paraná, mas reconhece que a situação por aqui é mais complicada. "A legislação paranaense é muito branda em relação às queimadas e isso é preocupante. As máquinas foram projetadas para colher a cana com palha, mas isso ainda não ocorre", afirma.
Além dos danos ao meio ambiente, o engenheiro agrônomo destaca que as queimadas espalham fuligem em um raio de até 10 quilômetros, afetando a saúde de crianças e idosos e causando sujeira nos quintais das residências.
Outuki afirma que a sujeira provocada pelas cinzas da palhada pode ser observada em todas as cidades que possuem canaviais em volta, mas considera a situação um pouco mais crítica em Itambaracá devido a cidade localizar-se "em um vale, em forma de concha", condição favorável para a queda dos resíduos.
Para ele, os danos que as queimadas causam ao solo podem ser notados com facilidade. Outuki mostra áreas próximas a Itambaracá onde ocorreu a queima da cana antes da colheita e outra onde não houve a queima. Na primeira é possível observar restos de palhas queimadas, mesmo em um espaço onde havia chovido intensamente, com a cana já em fase de rebrota, mas com solo seco e desprotegido. Na outra área, a palha permanece sobre a superfície, retendo os raios de sol e mantendo a umidade do solo, o que, como explica, conserva melhor os nutrientes da terra.
O engenheiro agrônomo argumenta que, enquanto a legislação não muda, deveria haver uma conscientização da sociedade sobre os problemas que as queimadas causam à saúde das pessoas e ao meio ambiente, trabalho este que poderia ser feito nas escolas, nos meios acadêmicos e nos institutos de pesquisas. "Nós temos hoje o exemplo do maior produtor de cana-de-açúcar do país que está acabando com as queimadas. Por quê o Paraná não pode fazer o mesmo pela sua população?", questiona. (E.A.)





