Justiça proíbe propaganda eleitoral em Ribeirão Claro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Marcos André de Brito<BR>Especial para a Folha 
A Justiça Eleitoral de Ribeirão Claro, a 35 quilômetros de Jacarezinho, proibiu a única emissora de rádio da cidade de transmitir o horário eleitoral gratuito que começou com os programas dos vereadores ontem em todo o Brasil. Em entrevista, a juíza do Fórum Eleitoral, Thalita Bizerril Duleba Mendes, justificou a medida inédita observando que todos os diretores da Rádio Comunitária Ribeirão Claro são filiados a partidos políticos, o que, na prática, é proibido por lei.
Como a cidade não possui nenhuma emissora de televisão, os eleitores não poderão ouvir as propostas dos candidatos na Rádio Comunitária. Conforme a juíza eleitoral, como os diretores estão de alguma forma ligados às siglas partidárias, havia a possibilidade de a emissora privilegiar um dos dois candidatos que disputam a eleição majoritária e até os candidatos coligados com seus partidos na eleição de vereador.
A cidade de Ribeirão Claro conta com cerca de 10 mil habitantes e cerca de oito mil eleitores. O atual prefeito, Geraldo Maurício Araújo (PV), que disputa à reeleição, acredita que a medida prejudica mais a população do que os próprios candidatos. ''A juíza está cumprindo rigorosamente o que está escrito na lei. Mas a população fica sem um canal direto com as campanhas. O diálogo do candidato com o eleitor fica restrito à comunicação visual e ao contato direto nas ruas'', diz o prefeito.
Além disso, os partidos e o Ministério Público Eleitoral assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no final do mês passado que restringiu a campanha a apenas um comício e uma carreata para cada uma das coligações. A fixação de cartazes e o uso de carros de som também estão proibidos em Ribeirão Claro.
Para o diretor geral da Rádio Comunitária Ribeirão Claro, Aguinaldo Eliano da Silva, a campanha ficou prejudicada pela falta de informação sobre as propostas e as intenções dos candidatos. ''Sem dúvida os eleitores são os mais prejudicados'', diz.
A decisão da juíza Thalita Bizerril Duleba Mendes deve mesmo ser mantida. Nem a coligação liderada por Geraldo Maurício de Araújo nem do seu adversário, o ex-prefito Mário Augusto Pereira (PMDB) pretendem recorrer da decisão. Além dos dois candidatos a prefeito, Ribeirão Claro tem outros 64 candidatos que concorrem a uma das nove cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores.


