Jundiaí do Sul - A aposta em novos nomes na política é a solução que a população visualiza para uma mudança efetiva. Prova disso é o resultado das urnas da eleição suplementar realizada no último domingo, em Jundiaí do Sul.
Com 65% dos votos válidos, Sebastião Egidio Leite (PT), o Tião Dias, foi escolhido pelos eleitores mesmo sem ter nenhuma experiência política – ele foi candidato a vereador em 2004, mas não foi eleito. Ele e o vice Wander Fonseca vão ser diplomados no dia 22 de dezembro e ficam no comando do município pelos próximos dois anos.
A vitória foi comemorada com muita festa na praça central e reacendeu na maioria da população, a esperança de dias melhores. "É preciso fazer benfeitorias para nossa cidade. A gente quer um prefeito que fique para trabalhar, que se preocupe de verdade com a população e tenha um bom planejamento. Esse é o desejo de todos aqui", comenta Zaira da Silva Leite, moradora há 59 anos.
Com apenas 3,5 mil habitantes, Jundiaí do Sul tenta atravessar há tempos uma turbulência envolvendo abuso do poder político, o que tem sustentando uma imagem negativa para o município. A crise se instalou desde 2008, quando o Executivo passou a ser comandado por prefeitos interinos - cinco no total.
"Moro aqui há 15 anos e não vi muita melhoria na cidade. É tudo a mesma coisa. Somos esquecidos. Cada hora é um prefeito que não assume e quem perde somos nós", desabafa o agricultor José Ricardo Rodrigues.
A eleição suplementar em Jundiaí do Sul foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o prefeito Jair Sanches (PR) e a vice Izabela Rodrigues (PSC), eleitos em 2012, terem o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, por abuso de poder político.

MUDANÇA

Na visão de Maurício de Aquino, doutor em História e Sociedade e docente de História do Brasil na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), "a sociedade e entidades como o Ministério Público têm exigido mudanças efetivas na política, sob o entendimento de que não dá mais para aceitar que aqueles que cometem crimes, seja pelo desvio de verbas ou abuso de poder político, permaneçam no comando".
Ele contextualiza a situação de Jundiaí do Sul com o período de transição do processo político brasileiro. "A Lei da Ficha Limpa estabelece uma normatização do processo eleitoral que dá garantias ao eleitor e ao político sério, e também oferece dispositivos para atuação do Ministério Público (MP). Este período de instabilidade ocorre juntamente com a aplicação da lei", argumenta.
Ainda de acordo com o professor, ao longo da história política brasileira, nos pequenos municípios em geral, sobretudo na zona rural, prepondera as práticas mais autoritárias. Mas com essa mudança de cenário, ele acredita que os eleitores passaram a enxergar o voto como uma ferramenta de transformação.
"Existe uma sociedade que não aceita mais esses antigos mandatários no poder. Quando realmente há uma avaliação acerca da importância do voto, renovação na política ou novas alternativas, o senso é não votar naquele que está no jogo político, independentemente de estar envolvido ou não com o abuso de poder. Para muitos, é preciso escolher alguém novo, de fora, como aconteceu em Jundiaí do Sul", ressalta.

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