Arapoti – Um caso inusitado gerou polêmica na cidade de Arapoti nos últimos dias. Um adolescente de 17 anos foi intimado pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre a acusação de que não devolveu um livro infantil emprestado da Biblioteca Pública em janeiro deste ano. De acordo com a polícia, o boletim de ocorrência foi registrado pela bibliotecária no dia 23 de maio. No documento, ela cita não só o adolescente, mas também outras pessoas que estariam com obras literárias há muito tempo. A denunciante alega que foram feitos vários contatos com os usuários, solicitando as devoluções, e que a queixa na delegacia teria sido o último recurso, devido o insucesso de medidas anteriores. O ato pode ser caracterizado como apropriação indébita de bem público, segundo a polícia.
O pai do adolescente, o empresário Elias Pascoal Nunes, afirma que desconhece qualquer tipo de contato por parte da Biblioteca Pública. "Sempre zelei pela preservação do bem público e se soubesse que o livro estava com o meu filho há tanto tempo eu mesmo o teria devolvido", disse.
Ele acrescenta que se sente incomodado pela forma como tudo aconteceu. Para ele, a atitude adotada foi truculenta e desestimula a leitura. "Além de não terem feito contato, a intimação foi entregue para pedreiros que estavam trabalhando na minha casa enquanto viajávamos. Isto criou a sensação de que meu filho tivesse furtado o livro, e não foi o que aconteceu, até porque sempre incentivei a leitura e ele sempre empresta livros", alega.
Nunes afirmou que a obra em questão, "Asterix - A foice de Ouro", está em perfeito estado e seria devolvida ontem, às 14h40, data e horário da intimação. Ele alegou ainda que procuraria a Corregedoria da Polícia Civil para questionar as formas adotadas para convocar o adolescente.
Em nota divulgada na segunda-feira, a Prefeitura divulgou que "busca de todas as formas obedecer aos princípios constitucionais, executando e promovendo ações de forma clara e coerente e que não utiliza-se de meios truculentos para com qualquer munícipe".
Ainda de acordo com a nota, o registro de um boletim de ocorrência foi um ato isolado, sem o conhecimento da administração e que todas as medidas cabíveis para corrigir a atitude tomada pela servidora serão tomadas pela administração em breve para que casos semelhantes não voltem a ocorrer.
O documento, assinado pelo prefeito Braz Rizzi (DEM) e também pela Secretária de Educação Rosi Rogenski enfatiza que a ordem não partiu do Executivo e que as autoridades lamentam o ocorrido.

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