Jacarezinho tem maior índice de infestação de dengue do Paraná
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2017
Rubia Pimenta<br>Especial para a FOLHA 

Jacarezinho De acordo com o último Boletim da Dengue, divulgado na semana passada pela Sesa (Secretaria da Saúde do Estado do Paraná), a cidade de Jacarezinho possui o maior IIP (Índice de Infestação Predial) de Dengue registrado em todo o Paraná: 9,8% (quase 10 casas infestadas para cada 100 pesquisadas). O município segue à frente de Paranaguá (8,9%), Capanema (8,3%), Nova Aurora (8,3) e outras 16 cidades do Estado que atingiram resultados maiores que 4%. Conforme a OMS (Organização Mundial de Saúde), estes níveis indicam estado de emergência, pois há risco de surto.
A cidade de Assaí também apresentou número considerado alto: 3,5%. Conforme a OMS, índices entre 1% a 3,9% devem colocar o município em estado de alerta. O resultado abaixo de 1% é considerado fora de perigo.
No Norte Pioneiro, 38 dos 49 municípios (78%) estão com índices inferiores a 1%. Cinco cidades, além de Assaí, estão em estado de alerta, com índices entre 1% e 3,9%: Andirá, Arapoti, Santa Mariana, Santo Antônio da Platina e Santo Antônio do Paraíso (ver tabela). Quatro cidades não realizaram o Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), cujo boletim é divulgado quinzenalmente.

JACAREZINHO
Os números do Boletim da Dengue mostram que em um ano, o IIP de Jacarezinho aumentou 5%. Em dezembro de 2016, o índice era de 4,8%, passando para 9,8% este ano. Os bairros mais atingidos são o Jardim São Luiz (que atingiu 32%), seguido da Vila Ageu, Parque Bela Vista e Jardim Silas Peixoto. Conforme o Supervisor da Dengue da Secretaria de Saúde de Jacarezinho, Francisco Delsasso, o clima quente e úmido da cidade favorece à proliferação do mosquito. "Fizemos mutirões de limpeza, e vamos continuar conscientizando a população. Estamos em estado de alerta". Segundo ele, apesar do alto índice de infestação, não há registro de doentes. O último Boletim da Dengue apontou 10 notificações em Jacarezinho (ainda sem confirmação) e 11 casos descartados, desde agosto.
ASSAÍ
A cidade de Assaí, apesar de continuar em estado de alerta, conseguiu diminuir o índice de infestação, que estava 5,75% em janeiro de 2017. Entretanto, de acordo com informações da 17ª Regional de Saúde de Londrina, o índice da cidade está acima dos números repassados pela Sesa: 4,5%. "Fizemos mutirões de limpeza, passamos o veneno, e agimos por bloqueio, ou seja, cada vez que encontramos um foco, procuramos reforçar as ações em todas as casas em um raio de 300 m²", conta o diretor de Serviços em Saúde da Prefeitura da cidade, Bruno da Silva Alves.
Em janeiro, época em que aumentam as infestações por conta do calor e da chuva, a cidade abrirá uma "Sala de Situação" junto à Secretaria de Saúde. "Será uma força tarefa, com o apoio de diversas entidades, como o Conselho de Saúde, órgãos públicos, etc, para orientar e prevenir a população nos cuidados com a dengue". Desde agosto, foram 36 notificações na cidade de Assaí e 31 casos descartados. A cidade possui uma notificação por Chikungunya.
Dos 368 municípios do Paraná que realizaram o LIRAa, 58% apresentaram índices menores que 1, 29% ficaram entre 1 e 3,9, e 5% tiveram resultados acima 4.
CUIDADOS
O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika e chikungunya. De agosto de 2017 até 21 de novembro, o Paraná registrou 191 casos de dengue, 186 deles autóctones e cinco importados. Houve dois registros de chikungunya e não foi registrado nenhum caso de zika no período.
A recomendação é não deixar focos de água parada e organizar uma rotina de limpeza semanal das residências e locais de trabalho. "Os municípios que apresentaram índices maiores do que quatro devem se precaver. Mesmo que não apresentem registros de casos de doenças transmitidas pelo mosquito, o risco existe e deve ser combatido com a eliminação dos focos", enfatiza a chefe da Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde, Ivana Belmonte.


