Jaboti - Os cuidados com o meio ambiente têm sido discutidos exaustivamente por autoridades no mundo todo e se revela um dos temas que mais preocupam a sociedade, há pelo menos duas décadas. Em Jaboti, graças à iniciativa do ex-empresário Luiz de Carvalho, o município pode se considerar em paz com a natureza. Ali está a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Ásia Menor, iniciada por ele em 1962, com o plantio de um cedro. A reserva, segundo Carvalho, foi a primeira receber o título no Norte Pioneiro e é a terceira em todo o Estado.
As RPPN são unidades de conservação da natureza doadas de forma espontânea pelo dono do espaço para usufruto da comunidade sem que se perca o direito à propriedade. Segundo dados do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o governo estadual reconhece 213 propriedades, 17 delas apenas no Norte Pioneiro. A reserva de Jaboti recebeu o título em 1997. ''Sempre tive a vontade de plantar, faço isso desde os 12 anos todos os dias '', diz Carvalho, hoje com 76 anos.
A unidade possui 24,20 hectares com mais de 300 espécies e já faz parte da história de Jaboti, pois na mesma propriedade está uma fábrica de polvilho, fundada pelo ex-empresário e que ajudou no desenvolvimento financeiro da cidade. A fábrica atualmente está arrendada para outra empresa. Apesar de ser uma unidade particular, Carvalho lembra que por diversas vezes teve que enfrentar pessoas interessadas em lucrar com recursos naturais. ''Comprei brigas e fui levado várias vezes à justiça por donos de madeireiras, mas como costumo dizer, o mundo não é de quem está aqui, mas pertence a criança que ainda não nasceu'', afirma.
O amor de Carvalho pela natureza é tamanho que o faz afirmar ''ser presunção do homem considerar-se o ser mais inteligente do planeta e acreditar que por isso tem o direito de explorar os recursos naturais''. ''Até hoje (o homem) não conseguiu inventar uma máquina que voe para trás e pare no ar ao mesmo tempo igual ao beija-flor. Ele copia da natureza depois diz que inventou'', filosofa.
Tendo cursado apenas até a oitava série, Carvalho comenta que costuma ler muito e andou coletando algumas frases de escritores conhecidos ou de visitantes para expôr no caminho da reserva. As placas com os dizeres estão amarradas nas árvores da reserva e, segundo ele, servem para estimular os visitantes a um momento de reflexão em meio ao verde.
O trabalho de conservação de Carvalho não se restringe à Jaboti. Ele já plantou diversas espécies de árvores em em outros estados. Também teve a iniciativa de anos atrás reunir um grupo de crianças para plantarem mudas de pinheiro à beira da estrada. Carvalho orgulha-se de ver essas pessoas, hoje adultas, lhe agradecerem por um dia terem feito bem à natureza, graças a ele ''Sempre aparece alguém que me fala de pinheiros que plantamos e tentam passar às suas crianças o que um dia eu transmiti, isso é importante para mim'', orgulha-se.
Um fato curioso remete ao nome da RPPN. Religioso, o ex-empresário releva que a escolha de Ásia Menor é uma referência direta ao Jardim do Éden. ''Dizem que o mundo pode ter começado na Ásia Menor quando Deus formou o paraíso. Não quero parecer pretencioso, mas acredito que este seja um pedaço dele'', justifica.
Quando questionado sobre o motivo que o leva a continuar plantando mesmo sabendo que nem as àrvores e nem as plantas carregarão o seu nome, ele esclarece. ''Eu me sinto parte delas, acho que as entendo e que elas me entendem. Não me incomoda o fato delas não terem o meu nome; o importante é conservar a natureza'', ensina.
Serviço:
A reserva é aberta à visitação pública em todos os dias da semana das 6h30 às 18 horas e a entrada é gratuita. Os interessados em conhecê-la podem ligar na Polvilho Tradição que fica dentro da propriedade (43) 3622-1105.

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