Jaboti - A fabricação de polvilho que impulsionou o surgimento de Jaboti passa por dificuldades. Atualmente a cidade conta com apenas duas indústrias de médio porte, a Polvilho Tradição, fundada em 1963 e a Polvilho Jaboti de 1974, mas já teve o dobro. ''Uma fechou e a outra acabou saindo da cidade para o interior de São Paulo. Temos dificuldade, por causa da falta de matéria-prima (mandioca), que buscamos em cidades vizinhas ao invés de produzir'', comenta Átila Dias Maria, gerente de produção da Polvilho Tradição. As mandiocas costumam vir de Wenceslau Braz, Curiúva e do estado de São Paulo.
Ele comenta que a atual administração assumiu este ano, mas há tempos a fábrica trabalha abaixo de sua capacidade. Hoje são nove empregos diretos e pelo menos 15 indiretos. ''Essa mesma empresa de forma direta e indireta já chegou a proporcionar 350 postos de trabalho. Estamos engatinhando perto do que era'', argumenta ele que nos último oito acompanha a luta para manter a fábrica funcionando.
A queda no número de funcionários e a falta de matéria-prima reflete também na quantidade de polvilho produzido pela empresa. De acordo com Maria, a capacidade real é de 45 toneladas dia, mas nas últimas semanas vem produzindo uma média de apenas 10 toneladas. ''Exploramos pouco a capacidade, mas estamos tentando fazer o negócio renascer arrendando terras para o plantio de mandioca, mas precisamos de apoio'', diz.
Na tentativa de reverter o quadro desfavorável, estão sendo plantados 12 alqueires da matéria-prima. ''Nossa expectativa é que cada alqueire produza de 80 a 100 toneladas da mandioca, o que embora não seja o ideal já nos ajuda muito'', vislumbra. As primeiras ramas são aguardas para os meses de abril e maio.
Um dos proprietários da Polvilho Jaboti, Sebastião Faustino da Silva, informa que sua indústria é um negócio de família e emprega diretamente cerca de 10 pessoas. ''Como nossa produção não é grande, temos conseguido matéria-prima com os produtores daqui mesmo'', afirma. Apesar da aparente tranquilidade nos negócios Silva pondera que seria interessante que o poder público incentivasse a produção da mandioca na região.
A explicação para a queda na produção de mandioca e posteriormente na fabricação de polvilho é simples: a baixa lucratividade e as condições do solo, segundo o secretário de agricultura do município, o engenheiro agrônomo Jean Pierre Correia Costa. ''A cultura da mandioca foi substituída pela do morango que exije um solo menos arenoso e maior possibilidade de lucro aos produtores'', justifica.
Costa vê a fabricação do polvilho como uma marca do município e avisa que o poder público tem o interesse de incetivar a retomada do cultivo da mandioca no município. No entanto, admite que não há nada previsto para os próximos meses. ''É do interesse do município conversar com o pessoal do ramo de polvilho para elaborarmos algo, mas ainda não há um plano definido'', informa.

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