Internos são ''esquecidos'' pelos familiares
Alzira Nazareth da Silva está no Asilo São Vicente de Paulo há 22 anos. Não lembra o nome da pessoa que a trouxe, sabe apenas que era sua amiga. Além disso não tem família conhecida. A dona de casa entrou no asilo com 45 anos. Hoje, com 67, reclama, com certa dificuldade, da falta de visitas e comenta que não tem contato com os antigos amigos. Recebo visitas dos integrantes da igreja que frequento, mas tenho saudades da mulher que me trouxe, queria que ela me visitasse, confidencia.
Funcionários, administradores e os idosos admitem que a principal dificuldade dos internos é a ausência de familiares e amigos. Segundo Alzira Zardo, várias idosas pedem para que ela entre em contato com os filhos e netos para que venham visitá-las. Elas choram e aguardam a visita de seus familiares, algumas passam os números de telefones e endereços para que entremos em contato. Apesar dos pedidos, eles não aparecem.
A religiosa Simone Virgínia de Almeida Lidio diz que falta conscientização dos familiares. Os idosos são abandonados pelas suas famílias. Filhos e netos acham que o cuidado e o carinho se resumem a deixar suas mães e avós no asilo, lamentou.
Ela explica que os parentes não sabem a importância de uma visita e do carinho dispensado a eles durante a semana. Simone alega que o maior problema dos asilos é o ressentimento dos idosos em relação ao desprezo de seus familiares. Apesar do apoio da comunidade e da dedicação dos funcionários, eles sentem falta do carinho da família, afirmou.
Para Angelo Teodoro Souza, abrigado no Asilo São Vicente de Paulo, a principal dificuldade é a falta de contato com os familiares. Ele comenta que os problemas atingem todas as classes sociais. As pessoas deixam de nos visitar. Os familiares acham que o trabalho desenvolvido pelo asilo é suficiente e visitam quando sobra tempo, reclamou. (B.T.)





