Interiorização do ensino
Desde a sua criação, a universidade sempre representou um papel histórico no desenvolvimento do conhecimento, do ser humano e de suas relações. Criada por volta do século 12 na Europa, sob o elo do ensino religioso alavancou o crescimento econômico, político e cultural, proporcionando a criação de um pólo catalizador, ''processador'' e erradiador de informações. No Brasil, a universidade, trazida pelas idéias positivistas no final do século 19, junto com a Proclamação da República, trouxe também consigo um suspiro de novidade, um anseio de mudança e a necessidade de alavancar um novo modelo de desenvolvimento, sustentado por idéias vindas da França e demais países europeus.
Até o final da década de 80, já no século 20, o ensino superior se estruturou principalmente em universidades federais e algumas estaduais. O Paraná é um dos estados que mais oferece vagas públicas estaduais levando em consideração sua proporção populacional. Na década de 90, com a globalização e consequentemente a diminuição do Estado, abriu-se um grande espaço para as universidades e faculdades não administradas pela União ou estados: particulares, fundações, instituições filantrópicas, religiosas, cooperativas, entre outras.
Significa dizer que neste período de quase mil anos de histórica de ensino superior, é notável o desenvolvimento científico, econômico, social e cultural dos países e/ou regiões que investiram e acreditaram nestas instituições de ensino.
Seguindo a lógica do desenvolvimento proporcionado pelas universidades medievais, modernas e contemporâneas, hoje assistimos a uma ''interiorização do ensino superior'' que vem alavancando o desenvolvimento de microregiões, onde suas aptidões locais passam ser melhor estudadas, desenvolvidas e aprimoradas, através de um campo de alta qualidade técnica e científica, que apenas uma faculdade ou organização de ensino superior pode reunir e organizar.
A Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi) de Santo Antônio da Platina nasceu, se estruturou e vive sob esse propósito: proporcionar o desenvolvimento da região onde está inserida, desenvolvendo projetos, empreendimentos, idéias, negócios, e, sobretudo, pessoas. Afinal, são os princípios de cidadania, ética, compromisso e responsabilidade social que norteiam seu trabalho educativo.
Com tão poucos anos de vida, são inúmeros os projetos que visam o desenvolvimento do Norte Pioneiro, gestados na faculdade e abertos ao crescimento regional. Estes exemplos podem ser ilustrados por trabalhos que pretendem envolver diretamente a faculdade e a comunidade, diminuindo as distâncias entre as necessidades da região e os anseios da instituição.
São eles: 1º Seminário de Fundamentos Sociais e Jurídicos, entitulado ''Empreendedorismo e Cidadania'', (29 e 30 de outubro); 1º Fórum Político-Econômico de Agronegócios, (9 e 10 de novembro), as constantes reuniões de grupos de estudo abertos à comunidade - preocupados com a conscientização política da comunidade, como o Grupo de Estudos de Economia Política, que ocorre na faculdade nas segundas-feiras às 18h30, a frequência de aulas práticas, como a aula prática de Ciência Política para o Curso de Economia e de Ciências Contábeis, reunindo alunos e os vereadores do município na discussão de projetos sociais, que acontece neste dia 17 de outubro, projetos enviados à Comunidade Solidária e mesmo a projeção de grandes eventos regionais.
Todas essas propostas possuem como foco e preocupação básica, o comprometimento social da faculdade com aqueles que acreditaram no seu crescimento, digo, no fato dela representar, para o Norte Pioneiro do Paraná, uma alavanca do desenvolvimento e aprimoramento de suas potencialidades regionais.
Um outro fator que exemplifica bem o compromisso da Fanorpi com o desenvolvimento e seu intuito em aprimorar, alavancar e qualificar as potencialidades regionais, repito ''com tão poucos anos de existência'', é a criação da Secretaria de Pesquisas Acadêmicas para organizar, orientar, e acima de tudo, estimular projetos que visem melhorar a qualidade de ensino da instituição e oferecer à comunidade os frutos de uma construção educacional competente e cidadã.
Uns dos grandes efeitos deste trabalho se concretizará no dia 13 de novembro, quando a faculdade vai realizar seu 1º Evinci - Encontro de Iniciação Científica - reunindo, avaliando, valorizando e apresentando à comunidade projetos que vem sendo desenvolvidos deste o início da instituição.
Por essas e por outras razões é possível crer numa instituição de ensino superior privada como pólo de desenvolvimento, como fator de diferenciação, como avaliadora de oportunidades, de conquistas, de necessidades sociais, culturais, políticas e econômicas, como gestão socialmente responsável e, sobretudo, como parceira na construção de uma sociedade economicamente próspera, sustentável, socialmente justa e solidária .
Creio que uma instituição de ensino superior deve trabalhar voltada para a comunidade em que está inserida, gerando emprego, dinamizando a economia e utilizando sua criatividade para encontrar soluções para os mais variados problemas sociais, apresentando-se como um agente ativo e transformador desta.
Para tanto, a faculdade precisa tomar conhecimento da realidade que a rodeia e do fato que faz parte dela, sentindo-se co-responsável pelos problemas por ela enfrentados. Exige-se que compreenda também o conceito de responsabilidade social e possua um compromisso com a qualidade de vida destas pessoas. Como empresa, e acima de tudo, como instituição de ensino, deve estar pronta para responder às demandas e, principalmente, auxiliar na diminuição das diferenças sociais, através de ações que possibilitem um desenvolvimento efetivo da sociedade, não só no âmbito econômico, mas também no social.
Isso se torna possível à medida que nosso aluno aprende a se deparar com problemas, situações e idéias concretas, contribuindo para desenvolvimento humano sustentável; compreende a cidadania como participação social e política, assim como o exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, ao adotar no dia-a-dia atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio as injustiças; posiciona-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes organizações, percebendo-se como integrantes, dependentes e agentes transformadores nas organizações, identificando seus elementos e as interações entre elas; contribui ativamente para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente, sentindo-se inseridos socialmente na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. Se estes são os princípios básicos que norteiam o trabalho educacional nesta instituição de ensino superior, é possível afirmar, com toda certeza, que o Norte Pioneiro há de crescer e alavancar junto com ela.
Ambos, faculdade e comunidade do Norte Pioneiro, crescerão juntos nesta relação de intimidade social.
- ÂNGELA MARIA DE SOUSA LIMA é professora de Metodologia de Pesquisa, Sociologia e Ciência Política e chefe de Departamento de Fundamentos Sociais e Jurídicos da Fanorpi





