Interior sofre com a falta de infraestrutura
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terça-feira, 01 de maio de 2012
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
''É comum em ano eleitoral candidatos a prefeito prometerem a instalação de grandes indústrias em seus municípios, o que quase sempre não acontece porque eles não têm o que oferecer em contrapartida''. A afirmação é do professor da Universidade Estadual Norte do Paraná (Uenp), economista Fernando Antonio Sorgi, que concorda com a declaração recente do governador Beto Richa (PSDB), de que falta infraestrutura para o interior se desenvolver.
Sorgi explica que, quando convidado a investir em outro lugar, o empresário quer saber se a cidade tem teatro, cinema, shopping center, aeroporto, universidade, mão de obra qualificada e qual a situação médico hospitalar do município . ''Todos esses fatores são levados em consideração por aqueles que produzem neste país e, por isso, nós temos que ter toda a infraestrutura para que o interior se torne atrativo'', afirma.
Apesar da falta de infraestrutura para atrair grande empresas, o economista sugere que a região crie um plano de desenvolvimento com características próprias, com parceria entre os governos federal, estadual e municipais e outras instituições, como o Sebrae, as universidades, os sindicatos e as associações comerciais.
Sorgi defende uma mobilização geral da sociedade no Norte Pioneiro para que a região se desenvolva de forma satisfatória e assim melhorar a qualidade de vida da população. Mas isto, diz ele, não vai acontecer por acaso. Para ele, é preciso que a população se conscientize desta necessidade e que haja o comprometimento das pessoas em torno de um objetivo comum. ''Tenho muita vontade de ajudar a região a se desenvolver e, por isso, faço uma convocação a todos que são nascidos aqui ou que vieram de fora para que assumam o compromisso de ajudar esta região a melhorar'', afirma.
Ele cita, inclusive, que o incentivo ao desenvolvimento da região está previsto nos estatutos da UENP. ''Nós temos essa obrigação, mas sozinhos não conseguiremos fazer nada'', justifica.
Na opinião do economista, a região deveria pensar primeiro em fortalecer as pequenos empresas já estabelecidas em sua área geográfica, em especial com a transferência de conhecimentos. ''É preciso impulsionar essas pequenas e microempresas, que muitas vezes estão na clandestinidade, para que se multipliquem e possam adquirir conhecimento; mas a gente tem uma dificuldade que é a falta de conhecimento técnico daquilo que elas produzem'', afirma.
O professor acredita que a região tem potencial para se transformar em um polo de desenvolvimento ''agrobiotécnico'', que consiste na criação de empresas agrotecnologia de precisão para a produção de equipamentos de precisão para a agricultura e a biotecnologia, que seriam utilizados nas áreas biomédicas.
Sorgi reconhece, entretanto, que é difícil chegar a um denominador comum sobre a implementação de um projeto de desenvolvimento porque pode haver conflito de interesses entre as partes. ''Não tem muito segredo para montar qualquer projeto de desenvolvimento humano, mas o grande problema de todo projeto é que, às vezes, o interesse pessoal ou político está acima das ideias; se não fosse isso nós teríamos o mundo inteiro desenvolvido'', explica.
Segundo ele, só a união de esforços pode mudar um antigo conceito que ainda existe na região. ''Ao invés de sermos chamados de ramal da fome, que sejamos chamados de polo de tecnologia e que as pessoas do mundo inteiro possam nos observar com outros olhos'', afirma.



