Integração energética trará benefícios a Assaí
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terça-feira, 20 de março de 2012
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
A intenção do governo brasileiro de construir usinas hidrelétricas em outros países para ajudar a reduzir a demanda nacional por energia elétrica nas próximas décadas pode trazer benefícios para Assaí, no Norte Pioneiro. A Jumbo Mecânica Pesada, com sede no município, está entre as 15 empresas deste segmento no Brasil que tem condições de fabricar equipamentos de grande porte para este tipo de obra.
O empresário Marco Antonio Bomtempo, diretor da Jumbo Mecânica Pesada, vê com bons olhos o projeto de integração energética que o Brasil está desenvolvendo com os países vizinhos. O principal projeto deve ser desenvolvido com o Peru, mas o governo mantém contatos também com a Argentina, Uruguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname.
Para o governo, há uma série de vantagens em fazer tais parcerias, entre elas a de conseguir a energia a um preço mais baixo que a produção nacional. No Peru, por exemplo, o megawatt/hora (MWh) de energia custaria US$ 52,00, enquanto no Brasil a estimativa é de US$ 77,00. Além disso, a América Latina tem uma grande disponibilidade para a produção de energia hidrelétrica porque aproveita apenas 24% de seu potencial.
Os projetos a serem implantados nos países vizinhos teriam a capacidade de gerar 30 (gigawatts) GW de energia, mais que o dobro da capacidade de Belo Monte, em construção no estado do Pará. A previsão é o Brasil importar entre 70 a 80% da energia gerada em outros países.
Bomtempo diz que a Jumbo é a única empresa com capacidade na região Sul do País a fabricar equipamentos com até 300 toneladas para hidrelétricas, portos e indústria mecânica de grande porte. Só para se ter uma ideia, este peso é equivalente ao de cinco aviões Airbus ou Boeing que operam no aeroporto de Londrina.
De acordo com o empresário, não há como fazer estimativas de como o projeto do governo pode interferir nos negócios da Jumbo até porque os contatos com outros países estão na fase inicial. O empresário explica que, como se trata de peças de grande porte, a empresa só trabalha com produtos sob medida para o cliente. Assim, a contratação de funcionários também é feita de acordo com a demanda.
Bomtempo acredita que o apoio do governo brasileiro para a construção de hidrelétricas é importante para a integração entre os países do continente para o fornecimento de energia, com um suprindo a necessidade do outro de acordo com a disponibilidade. Ele argumenta que a escassez de energia elétrica é um problema comum a quase todos os países da região. ''A integração das redes de energia elétrica, começando pelo Brasil, pode garantir a estabilidade no fornecimento de energia para todo o continente'', afirma.
O empresário diz que a parceria do governo com outros países para a geração de energia é ''interessante'' em todos os sentidos. ''O Brasil hoje é referência no mundo em fornecimento de equipamentos hidrelétricos, de petróleo e de aviação; e isso representa um ganho em termos tecnológicos, de divisas e de influência'', explica.
O diretor da Jumbo só questiona a posição de ambientalistas que são contra a intenção do governo brasileiro, que qualificam como ''imperialista''. ''Concordo que os ambientalistas têm razão em uma série de situações, mas quero saber se eles abrem mão da geladeira, da televisão, do carro e do asfalto; a pessoa pode ser crítica sem ser radical porque não há como fazer omelete sem quebrar os ovos'', justifica.


