Insetos noturnos com os dias contados
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Eli Araujo <br>Reportagem local 
Dois pesquisadores do curso de Agronomia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), campus de Bandeirantes, desenvolveram um equipamento para a captura de insetos que atacam as lavouras durante a noite. A invenção foi batizada com o nome de ''armadilha luminosa'' e funciona à base de energia solar.
O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro agrônomo entomologista José Celso Martins e o engenheiro eletricista Márcio Hasegawa, com tarefas bem definidas entre ambos. Como a entomologia é a parte da ciência que estuda os métodos de controle de pragas agrícolas em pequenas ou grandes propriedades, o professor Martins ficou responsável pela parte da captura de insetos, e professor Hasegawa, responsável pelo desenvolvimento técnico/operacional do projeto.
A armadilha é montada de uma forma bem simples com a utilização de um garrafão plástico de 20 litros com alguns cortes para a colocação de uma lâmpada fluorescente que emite raios ultravioletas. Ela é ligada a um sistema composto por um painel que capta a energia solar, um controlador de carga e uma bateria. O equipamento, montado em um suporte, transforma a energia solar em energia elétrica. Há um interruptor que liga e desliga a lâmpada no horário programado.
O professor Martins diz que a armadilha pode capturar qualquer tipo de inseto, desde que tenha hábitos noturnos. Entre eles estão as mariposas, os besouros e alguns tipos de moscas. Segundo ele, a armadilha vai ajudar no controle das pragas nas lavouras, como a lagarta da soja, por exemplo. Ele explica que a lagarta se transforma em mariposa, depois vem o acasalamento e inicia um novo ciclo. Se a mariposa é capturada, este ciclo é interrompido.
Martins garante que a armadilha pode ser usada em praticamente todas as culturas, seja em áreas de reflorestamento com eucaliptos, em extensas áreas de soja ou trigo, nas lavouras de café ou no cultivo de hortaliças.
O professor espera que a armadilha venha contribuir com a redução do uso de inseticidas nas lavouras, o que deve melhorar a produção de alimentos. ''Em uma horta, é comum o produtor aplicar veneno hoje e amanhã aquele produto vir para a sua mesa; mas se o produtor reduz a aplicação, teremos um alimento de melhor qualidade, sem o risco de ingerir uma comida contaminada'', afirma.
Os dois pesquisadores reconhecem que a invenção não é totalmente inédita porque existem equipamentos semelhantes no mercado, mas destacam a simplicidade de funcionamento do sistema sem a necessidade de estender fios de energia elétrica em longas extensões, o que se tornaria inviável em áreas mecanizadas ou de reflorestamento.
O equipamento já passou por uma fase de testes e, segundo os pesquisadores, obteve bons resultados. Eles ainda não sabem se o invento será produzido em larga escala e nem como seria a comercialização. O professor Martins afirma que tudo vai depender da aceitação dos produtores.
O protótipo montado pelos dois professores custou cerca de R$ 1 mil. Eles acreditam que o produto ficaria bem mais em conta se fosse produzido em larga escala. Pelos cálculos dos professores, as armadilhas devem ser colocadas em intervalos de 600 metros na propriedade.


