A estatística do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em 2000, registrou cerca de 24,2 mil acidentes de trabalho. O setor da indústria foi responsável por 34% das ocorrências, a construção civil registrou 23%, a prestação de serviços 17,62% e, o comércio, 10%. A procuradora do trabalho e coordenadora do comitê de investigações de óitos e amputações relacionadas ao trabalho no Estado do Paraná, Rene Araújo Machado, afirma que esses números são considerados altos, apesar da diminuição de registros de 1999 para 2000. ‘‘Infelizmente os empresários e industriários ainda não se conscientizaram que a prevenção é essencial para que os acidentes não aconteçam. Além disso, é mais barata’’, declarou.
Não existem estimativas oficiais sobre acidentes de trabalho na região, mas em Cambará a empresa Yoki Alimentos foi acionada judicialmente por pelo menos 30 funcionários e ex-funcionários que apresentavam características de Lesão por Esforços Repetitivos (LER). A ex-funcionária Ester Fernandes Machado, 36 anos, foi uma das vítimas da doença. Segundo ela, a LER se manifestou após quatro anos de trabalho na empresa. De acordo com funcionários, as atividades realizadas no setor de empacotamento provocaram o problema, já que os trabalhadores deste setor realizam movimentos contínuos para manusear embalagens que pesam até 15 quilos.
Os advogados dos funcionários afirmam que a Justiça do Trabalho designou a realização de perícia para identificar a ocorrência de LER na empresa, mas não quiseram divulgar o número de ações. Técnicos do INSS de Jacarezinho revelam que 20 dos 830 funcionários da empresa passaram por reabilitação até julho do ano passado, ou seja, assumiram novos postos. No mês de novembro foram pagos cinco benefícios e em dezembro quatro. O órgão informou, ainda, que em janeiro não registrou nenhuma ocorrência na empresa.
A auxiliar de empacotamento Tânia Regina de Lima Campos, 35 anos, foi admitida na empresa em 1998 e, num período de sete meses, passou a sentir dores nos braços e pernas. Meses depois, de acordo com a funcionária, exames comprovaram a LER. A funcionária afirmou que, apesar do problema, continua trabalhando. Segundo ela, não existe um rodízio de atividades dentro do estabelecimento. ‘‘Há pessoas na empresa que estão quase aleijadas’’, lamentou Tânia Campos. Ela afirma que os funcionários que adquiriram a LER estão proibidos de manter contato com os demais.
O advogado da Yoki, Luiz Fernando Rossi, afirma que há casos de funcionários que foram encaminhados ao INSS mais de uma vez e que foram liberados. Segundo ele, apesar da alta dada pelo órgão, alguns deles examinados pelo médico da empresa ainda apresentam a doença. Rossi justitica que a Yoki fica impossibilitada de afastar essas pessoas já que não tem o aval do INSS. ‘‘Quando isso acontece o funcionário deve acionar judicialmente o instituto’’, sugere.

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