Itambaracá – A alta taxa de mortalidade no cardume foi vencida, eles estão resistindo a um período de baixa lucratividade, mas os produtores de tilápia em tanques-rede instalados no reservatório da Hidrelétrica Canoas 1 dependem agora de ações do poder público para ganhar ainda mais importância na economia do Norte Pioneiro. Os produtores reclamam da dificuldades em regularizar a atividade e a alta carga tributária da ração, insumo que corresponde a 70% do custo de produção. Para eles, os dois obstáculos ameaçam estagnar a atividade na região. O setor ensaia uma reação e está se mobilizando para sensibilizar o ministro da Pesca e da Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB), que tem visita marcada para a região no final do mês.
O preço alto dos grãos que compõe a ração está corroendo a margem de lucro, reclama o piscicultor Miguel Romero, de 49 anos, um dos integrantes do Condomínio Angola, em Itambaracá, município que é um dos polos de produção em tanques-rede no Estado. "Queremos uma redução de impostos como ocorreu com alguns produtos da cesta básica. Se houver a desoneração, podemos continuar expandindo a produção nos próximos anos. Caso contrário, será difícil. Em um ano, nossa margem de lucro caiu cerca de 50%", argumenta.
Romero, um comerciante da área de construção civil, é um dos 11 condôminos que se cotizaram para formar a fazenda aquática no reservatório da hidrelétrica Canoas 1, formado em 1999 com as águas do rio Paranapanema. Itambaracá conta com outro condomínio semelhante, o Almeida. No total, o município tem 1.415 gaiolas, de onde são retiradas mil toneladas de tilápia por ano, gerando faturamento de cerca de R$ 4 milhões para o complexo.
Além das dificuldades econômicas conjunturais, a atividade enfrenta um problema estrutural, de acordo com os piscicultores. Para produzir, segundo eles, é necessário obter uma infinidade de papeis federais, que percorrem Ministério da Pesca, Agência Nacional da Água, Ibama, Marinha e Secretaria do Patrimônio da União, sem contar a licença estadual de operação, concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Eles afirmam que há produtores que aguardam licenças desde 2002.
O engenheiro agrônomo da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) de Itambaracá, Miguel Antonucci, admite que os produtores estão exercendo a atividade com muitas pendências burocráticas. "Sem os papeis o setor não consegue acesso a linhas de crédito concedidos pelo governo. Acaba sem capacidade de investimento e sem chance de ampliar a produção", afirma.
A redução do número de licenças e carimbos será uma das principais reivindicações dos produtores ao ministro, avisa Romero.
Conforme uma agenda preliminar divulgada pelo ministério, além de Itambaracá, Crivella irá conhecer os projetos de produção em cativeiro do polo formado por produtores de Ribeirão Claro, Carlópolis, Salto do Itararé e Siqueira Campos, municípios banhados pelo reservatório da Hidrelétrica de Chavantes. Há também visitas programadas a complexos de tanques escavados em Pinhalão e em Rolândia, na região de Londrina, onde o ministro visitará as fazendas Aquabel e Belmonte.

Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Emater alerta para dificuldade de expandir área de produção

- Associação quer recursos federais para instalar gaiolas

mockup