''Aqui tinha muita curva, muito desvio'', reconhece Henrique, sem enumerar os acidentes, que, segundo outros contemporâneos, causavam atrasos dos trens. Eram mais frequentes os descarrilamentos, por causa da sinuosidade da linha. O sub-ramal caracterizava-se também pelo aclive no sentido Eusébio de Oliveira-Ibaiti; a descida entre Ibaiti e Tomazina e desta cidade, subindo novamente até Wenceslau Braz, conforme a descrição de Henrique.
Sem imprevistos, o trem partia às 5h45 de Lísimaco da Costa (em Figueira) e chegava às 11h50 a Wenceslau Braz. No sentido inverso, partida às 14h40 e chegada às 20 horas. O transporte de passageiros cessou em 1969 e o de carga entre 1974 e 1975.
A construção do sub-ramal teve o início em 1920 em áreas compradas pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (SPRG); a extensão pronta até 1943 situava-se inteiramente no município de Tomazina, do qual ainda seriam desmembrados outros; na década de 40, o sub-ramal passou à Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, que construiu o último segmento, de Artur Bernardes a Figueira.
Os trilhos atingiram Cerradinho em 1922, Tomazina e Pinhalão em 1924, Japira e Barra Bonita (depois Ibaiti) em 1925, Artur Bernardes (estação) em 1940, Eusébio de Oliveira (mais tarde distrito de Ibaiti) em 1943 e Lísimaco da Costa (ponto final dos trilhos) em 1948.
Um zigue-zague de 119 quilômetros, onde os trens de passageiros cessaram em 1969 e os de carga, entre 1974 e 1975.
Restaram nomes de personalidades ilustres em comunidades e estações: Artur Bernardes, presidente do Brasil no período 1922-1926 e o primeiro a fazer um campo de concentração (na Amazônia) para os inimigos políticos; Eusébio Paulo de Oliveira, geógrafo e geólogo (1882-1939), introdutor no Brasil da prospecção geofísica de petróleo e outros recursos minerais; e Lísimaco da Costa (1883-1941), engenheiro, professor da Escola Normal e da Faculdade de Engenharia de Curitiba, um dos redatores do anteprojeto da Educação para a Constituição de 1934.
De outras bandas chegam notícias alvissareiras, dando conta que a estação na Lapa será o Museu do Transporte e se projeta uma linha turística de 18 quilômetros (Lapa-Lavrinha). Ao Norte as estações de Marques dos Reis, Santo Antônio da Platina, Joaquim Távora, Andirá e Bandeirantes serão restauradas conforme o termo de ajuste de conduta firmado entre o Ministério Público e a América Latina Logística (ALL), sob orientação de órgãos oficiais para a preservação.
É porque as estações situam-se em ramais que integram os 10% ainda utilizados da malha de 28 mil quilômetros no país.
Já ao longo do extinto sub-ramal no Norte Pioneiro, a Estação Eusébio de Oliveira encontra-se menos arruinada e se converteria num belo ''cartão postal'' se fosse restaurada. (W.S.)

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