A primeira origem de Ibaiti foi o Patrimônio do Café, onde a urbanização teria se desenvolvido se não houvesse, a cerca de 10 quilômetros dali, a descoberta de uma jazida de carvão e a construção da ferrovia, entre 1916 e 1925. Dois anos após, a sede distrital foi transferida do Patrimônio para Barra Bonita, que se transformou na cidade e sede do município criado em 1947.
Mas o carvão exauriu-se por volta de 1940 e só ficou vestígio, o Parque da Mina Velha, enquanto o Patrimônio do Café, fundado há mais de 100 anos pelo coronel Luiz Pinheiro de Mello, continua a ter importância econômica, apesar de ter perdido população, coisa que Pinheiro não chegou a ver, pois morreu em 1911.
''Pra pessoa que possui pouca terra, o negócio é café'', resume José Luiz de Oliveira, dono de uma quarta de alqueire (pouco mais de 6 mil metros quadrados), com oito mil pés plantados. Colheu 100 sacas em coco. ''Mas a geada estragou muito, os pés ficaram pelados e ano que vem vou colher pouco'', prevê. Embora a lavoura seja pequena, Oliveira diz que na colheita precisa de ajudantes.
''De emprego, Ibaiti é muito fraco. Aqui, o povo tem o café e vai melhor do que na cidade; tem gente que recebe R$ 20 por saquinho'', diz Maria Bernardete Florentino, dona do único estabelecimento comercial no Patrimônio. Normalmente, a remuneração é de R$ 15 para quem derriçar e abanar 60 litros em coco (um saquinho), explica o irmão dela, José Jesus Florentino.
Por uma estrada que sai da BR-153 (Ibaiti-Ventania), o Patrimônio do Café está a dois quilômetros, e a sete do centro de Ibaiti. ''É logo adiante, o patrimônio é pequenininho'', na expressão de uma moça que mostra o rumo. Menos de 500 metros da estrada estão pavimentados, com pedras irregulares, até a praça. O núcleo está rodeado de cafezais, alguns na divisa com a praça e ao lado de casas com os quintais transformados em terreiros (bases de tijolos) para a secagem dos grãos.
A quadra de esportes do grupo do escolar, em construção pelo Governo do Estado, tem um cafezal atrás e outro lateralmente, na propriedade de Osvaldo Inácio Ferreira, o ''cigano''. Osvaldo conta que vendeu oito alqueires de café na Água Grande e comprou um alqueire contíguo ao Patrimônio, ''esse pedacinho aqui'', após ter-se submetido a uma cirurgia no coração. Mas também para ''estudar os netos'', aproveitando a escola ao lado. De cinco mil cafeeiros no alqueire, diminuiu para 2.500, que lhe permitem cuidar melhor por sua condição física, aos 82 anos e viúvo. ''Depois da operação fiquei fraco, mas ainda trabalho.''

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