Hospital Regional de volta à ativa, mas funcionários anunciam nova greve
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terça-feira, 24 de março de 2015
Luiz Guilherme Bannwart<br>Especial para a FOLHA 
Santo Antônio da Platina - A paralisação dos atendimentos médicos no Hospital Regional do Norte Pioneiro (HRNP), em Santo Antônio da Platina, durante a semana passada, demonstrou a importância de se manter ativa uma das maiores casas de saúde da região. Em apenas cinco dias que permaneceu fechada, 25 crianças de cidades que integram o Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisnorpi) tiveram que nascer em outros hospitais devido à mobilização dos profissionais junto ao governo estadual, pelo repasse de recursos que os impediam de dar continuidade dos trabalhos. Na sexta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) confirmou um depósito no valor de R$ 907 mil na conta do Cisnorpi, e a unidade, responsável por 45% dos partos SUS na região, retomou as atividades.
Entretanto, na manhã de segunda-feira uma assembleia realizada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Cornélio Procópio e Região decidiu pelo início da greve da categoria na próxima segunda-feira. O motivo da paralisação seria o descumprimento de um acordo assinado entre Cisnorpi e o sindicato dos trabalhadores no dia 21 de janeiro durante uma reunião com auditores do Ministério do Trabalho.
Mas a notícia sobre a possibilidade do HRNP encerrar as atividades mobilizou lideranças de várias partes do Estado na busca pela solução do problema, já que a instituição de saúde é referência não só no Norte Pioneiro, mas em todo o Paraná. Um dia após a paralisação dos médicos, representantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisnorpi), Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) e deputados estaduais se reuniram com uma equipe da Secretaria Estadual da Saúde, em Curitiba, e conseguiram liberar quase a metade dos recursos que estavam bloqueados.
A quantia depositada pelo governo tirou o hospital da UTI, mas não resolve em definitivo os problemas financeiros da casa de saúde, que ainda aguarda a liberação de aproximadamente R$ 1,1 milhão para poder sanar todas as dívidas. No entanto, o valor repassado na semana passada à unidade pela Sesa coloca em dia os honorários médicos e permite manutenções em equipamentos importantes para o funcionamento da UTI neonatal e a realização dos atendimentos.
De acordo com diretor técnico do hospital, o médico Fábio Chaves, nenhum outro hospital da região possui uma estrutura parecida com a da casa de saúde. O obstetra destaca a importância da unidade, principalmente para os municípios que não possuem maternidades e que dependem 100% do HRNP no atendimento às gestantes. "Nosso plantão conta com três médicos durante 24 horas por dia para atender a população em qualquer circunstância. Centro avançado e com excelência como temos no HRNP, só encontramos em Londrina. No Norte Pioneiro temos ao menos seis municípios que não possuem o serviço de maternidade em seus hospitais e que dependem totalmente do Hospital Regional. Somente este fator seria o bastante para mantermos a unidade aberta", argumenta.
Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que apenas 30% dos partos pelo SUS sejam por cesariana. Conforme o diretor técnico do HRNP, 55% dos procedimentos realizados na unidade ocorrem em partos normais, mesmo os casos de alto risco. Nos demais hospitais da região, segundo Chaves, a maioria dos partos SUS é feito por cesariana. "Ao contrário do que muitos imaginam, mesmo em situações de risco o parto normal ainda é o procedimento mais indicado. Não há hospital na região com índice igual ou próximo do nosso. É por esse e outros quesitos, que o HRNP é responsável por cerca 140 dos 300 partos, em média, realizados todos os meses no Norte Pioneiro", destaca.
Conforme acordado durante a reunião ocorrida na semana passada, em Curitiba, o governo estadual assumiu o compromisso, assinado em ata com o Ministério Público Estadual, de repassar todo dia 20, ao Hospital Regional do Norte Pioneiro, os recursos referentes aos convênios e a outras despesas apresentadas pela unidade.
SERVIDORES
O Cisnorpi informou que o próximo passo será negociar com os fornecedores e com os funcionários do HRNP, para evitar que ocorra a greve anunciada para a próxima segunda-feira.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Cornélio Procópio e Região, Reginaldo Ristau, no acordo assinado em janeiro o Cisnorpi tinha se comprometido a quitar os pagamentos de horas extras dos funcionários referentes a 2014 e não cumpriu. O documento previa ainda a criação do vale alimentação para a categoria, além da contratação de mais funcionários para melhorar as escalas de serviço dos trabalhadores. Entretanto, Ristau afirma que a intenção do sindicado é resolver o problema, e que categoria está aberta para uma negociação com o consórcio para evitar uma nova paralisação nos atendimentos.


