Hospitais dependem de campanhas públicas
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Ana Paula Machia<Br>De Santo Antônio da Platina - Especial para a Folha 
O atraso na conclusão das obras do Hospital Distrital em Santo Antônio da Platina e a suspensão no atendimento no Hospital Municipal de Joaquim Távora revelam a precariedade na saúde pública na região. Em Ribeirão do Pinhal e Santo Antônio da Platina, moradores fazem campanhas para colaborar na manutenção do hospitais e arrecadar recursos. Dos 23 hospitais do Norte Pioneiro, pelo menos oito enfrentam dificuldades.
A população de Santo Antônio da Platina aguarda, há um ano e meio, a conclusão das obras do Hospital Distrital. O projeto prevê a instalação de um hospital com 140 profissionais e capacidade para 78 leitos.
Segundo a presidente da Organização Mundial da Família (OMF), Daisi Noeli Weber Kusztra, o atendimento no Hospital Distrital deve suprir 85% das necessidades de internação de uma população regional estimada em 150 mil habitantes. O projeto é resultado de uma parceria entre a OMF, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), Secretaria Estadual da Saúde, Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) e a Prefeitura de Santo Antônio da Platina.
O hospital deverá operar em sistema de planejamento com racionalização de custos e mão-de-obra. O objetivo a médio prazo é que o hospital seja auto-suficiente, com arrecadação maior do que o custo. De acordo com a prefeitura, o investimento total da obra está orçado em R$ 9 milhões. O hospital deveria, de acordo com as entidades organizadoras, ter ficado pronto 15 meses depois do início das obras, que começaram em 1998.
Segundo Daisi, o projeto do Hospital Distrital deveria ter sido concluído há 1 ano e meio. Os recursos estimados em R$ 807 mil, previstos para serem liberadas por um termo aditivo da Secretaria Estadual da Sa© úde, ainda não foram repassados.
A presidente da OMF afirma que foram feitos vários contatos com a secretaria, mas nada foi resolvido. Segundo ela, o secretário Armando Raggio garantiu o termo de aditamento da obra. ''Gostaríamos de saber se ele vai ou não assinar o termo de aditamento. Se não for, gostaríamos de ter conhecimento'', disse.
Raggio afirmou que existe um processo que prevê a complementação de 5% de recursos para a conclusão das obras. Ele declarou, ainda, que isso não depende mais de sua autorização e que o governo deve se posicionar, ainda este ano, quanto à este problema. ''O processo foi encaminhado. Agora cabe ao governo do Estado resolver a questão'', declarou.
Apesar de todos os problemas constatados nos hospitais da região, o diretor responsável pela 18 Regional de Saúde de Jacarezinho, Irvando Luiz Carula, acredita que, de uma maneira geral, os índices de sa© úde do Norte Pioneiro têm melhorado. Sobre o Hospital Distrital, Carula afirmou que sabe, por meio de informações extra-oficiais, que a Secretaria Estadual da Saúde vai liberar as verbas para o término da obra. Porém, em relação à demora para a liberação deses recursos, disse apenas que é difícil falar alguma coisa.


