Histórias e lendas cercam origem da imagem
Frei Cláudio Abreu conta que a imagem foi talhada por um escravo, quando a família do Capitão Antônio de Paula Oliveira Pinto ainda vivia na cidade de Itapetininga (SP). Embora exista uma série de contradições, o religioso confirma que o enredo que envolve a história da imagem de São Bom Jesus da Cana Verde é verídico e envolve o escravo Vicente e seu ''sinhô''. Muitas lendas referentes ao seu aparecimento chamam a atenção dos romeiros e fiéis, algumas fundamentadas em investigações históricas.
Entre as lendas ainda não totalmente esclarecidas, a imagem do Bom Jesus teria sido esculpida pelo escravo Vicente, em madeira de cedro, em troca do perdão do patrão, após tê-lo desobedecido. Outras atribuem aos trabalhos do próprio Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa) ou então de algum discípulo seu. A lenda rendeu ainda um filme, produzido em 1967 - o primeiro longa metragem do Paraná, todo colorido -, por artistas amadores de Siqueira Campos, baseado em uma das tantas lendas sobre o aparecimento do Santo.
A fazenda Murzilo, em Carlópolis, para onde foi trazida a imagem pela família do capitão, também é muito visitada por romeiros e fiéis. Ali, Antonio Pinto ergueu uma pequena Igreja para homenagear o Santo Bom Jesus. A data da chegada da escultura, segundo pesquisadores, é estimada entre os anos de 1870 a 1880. Em 1902, o capitão Francisco de Oliveira Pinto, dono da fazenda, legalizou a doação de 35 alqueires de terras para São Bom Jesus, dentro de sua propriedade. Em 1905, após o falecimento do Capitão, e o julgamento do inventário, a Mitra Diocesana de Jacarezinho tomou posse das terras doadas.
Um decreto do Bispo de Jacarezinho, Dom Fernando Taddei, assinado em 1º de março de 1931, transferiu a escultura para Siqueira. A decisão da Mitra Diocesana provocou muita revolta entre os moradores de Carlópolis, que não queriam que a imagem do Bom Jesus deixasse a cidade. Há informações de que, certa vez, a imagem teria sido roubada de Siqueira Campos por alguns fiéis descontentes com a medida e depois devolvida. A Mitra informou que os motivos que fundamentaram o decreto foram, entre outros, a localização geográfica do município de Siqueira Campos, construída às margens da rodovia PR-090, o tamanho da igreja matriz e a presença permanente de um vigário para atender aos romeiros e por ser também a comunidade mais religiosa pertencente a Diocese. Até hoje, a população de Carlópolis lamenta a transferência da imagem. (M.A.B)





