Os motoristas que procedem do estado de São Paulo com destino ao Norte Pioneiro se assustam com os valores cobrados nas praças de pedágio em solo paranaense. Enquanto no estado vizinho eles pagam R$ 3,00 em média, nas três praças de pedágio desta região é cobrado entre R$ 11,00 e R$ 12,80 para um veículo de passeio. Os valores nessas praças, localizadas nos municípios de Sertaneja, Jataizinho e Jacarezinho, estão entre as mais caras do Brasil.
Após 14 anos da implantação dos pedágios, as reclamações, que antes eram ''exclusivas'' dos motoristas, passam a ser feitas agora também por comerciantes. E no caso específico das cidades próximas às praças, há pessoas que evitam se deslocar de um lado para outro para evitar uma despesa a mais no bolso.
O empresário Valdir Saretto, conhecido por Catarina, dono de um restaurante perto do pedágio em Jataizinho, diz que o movimento de clientes caiu em 70%. Segundo ele, a coisa mais comum que ouve todo dia é a reclamação de pessoas sobre o valor do pedágio. ''Quando não tinha o pedágio, o movimento era tão grande que a gente não sabia a quem atender e hoje a maioria fica revoltada com os valores do pedágio e nem para no restaurante'', afirma.
Saretto acha que é injusto cobrar o pedágio de pessoas que moram nas proximidades e precisam se locomover de uma cidade para outra. Ele diz que precisou levar uma filha recentemente para Cornélio Procópio e pagou R$ 25,60 de pedágio para ir e voltar, o que foi ''bem mais que o combustível''.
Ele é farovável a uma mudança no sistema na forma de cobrar o pedágio para não sacrificar tanto os moradores da região e sugere a adoção da cobrança do pedágio por quilômetro rodado.
O empresário lembra que, além do preço, não foi cumprida a promessa de duplicação da BR 369 entre Jataizinho e a divisa com o estado de São Paulo, um trecho de 130 quilômetros, enquanto foram realizadas obras perto de Jataizinho que considera desnecessárias. ''Eles construiram um viaduto em Jataizinho, gastaram uma fortuna, mas não passam nem três carros por dia lá embaixo'', justifica.
O empresário Ivo Martins, dono de um posto de combustível às margens da BR 369, define o pedágio como um ''mal necessário'', mas considera que o valor cobrado na praça de Jataizinho ''é muito alto''. Martins afirma que o valor interfere no movimento porque uma boa parte dos motoristas evita trafegar por aquele trecho, mas não sabe precisar exatamente qual seria o percentual de redução.
Ele defende que o governo faça uma revisão dos valores cobrados nas praças de pedágio da região. Para Martins, o normal seria o valor cobrado em outras praças de pedágio do Norte do Paraná, como em Arapongas e Mandaguari, que custa R$ 5,80 - menos da metade do valor da praça de Jataizinho.
Independente do valor, Martins tem esperança de que um dia a rodovia entre Jataizinho e a divisa com São Paulo sejá duplicada. ''A duplicação está enroscada, mas acredito que vá sair porque o governo tem que fazer alguma coisa neste sentido; a esperança é a última que morre'', afirma.
O valor do pedágio cobrado na praça de Jataizinho interfere diretamente na vida do motorista Vadenilson Martins. De segunda à sexta-feira, ele transporta etanol em um caminhão de cinco eixos da usina em Nova América da Colina para Londrina e gasta R$ 104,00 de pedágio por dia entre ida e volta.
Pior do que os valores pagos, é a ''separação da família'' provocada pelo pedágio. Ele mora em Bandeirantes e, para não ir e voltar todo dia para casa e gastar mais R$ 25,60 só de pedágio, sem contar o combustível, ele optou por dormir no caminhão, que fica estacionado em um posto perto de Jataizinho durante a noite. ''Eu não tenho como ir para casa por causa do pedágio e, assim, o caminhão se torna a minha casa durante a semana'', afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Há um pedágio no meio do caminho...
mockup