Uma parte dos 350 mil alqueires vendidos pela Companhia Marcondes à Companhia de Terras Norte do Paraná situavam-se na ''freguesia e distrito de Jataí, município de São Jerônimo, comarca de Tibagi'', conforme escritura de 1925. Desse negócio resultou a ligação, pela Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, do passado histórico de Jataí com o imediato futuro econômico, representado pela colonização de Londrina.
Concretizou-se o elo com a chegada dos trilhos a Jataí, ''km 184 + 141 m'', estação inaugurada em 5 de maio de 1932. Passados 80 anos, desapareceu o letreiro ''Villa Jatahy'' em alto-relevo nas laterais, mas a estação é a menos depredada no trecho desde Ourinhos (km 0) e se encontra ocupada pela América Latina Logística (ALL).
Quando ia começar a colonização do Norte Novo, o presidente estadual, Affonso Alves de Camargo, queria o poder público perto e elevou Jataí a município, em 14 de março de 1929, ''suporte'' para a travessia do Tibagi e a fundação do Patrimônio Três Bocas, que se denominaria Londrina em 3 de maio de 1932.
De Cornélio Procópio a Jataí, o primeiro trem (de carga) corre em abril de 1932; a estação de Jataí é inaugurada em 5 de maio e o tráfego de trens de passageiros, em 9 de maio. Nos próximos dois anos, o ponto final dos trilhos permanece em Jataí e desembarcam profissionais e comerciantes que se fixam até o momento propício à mudança para Londrina. Com a crise internacional causada pelo ''crash'' na Bolsa de Nova York interrompera-se a construção da ferrovia.
Tendo a origem na colônia militar instalada em 1854, Jataí permanecera inerte e entrou nos seus melhores anos ao despertar com a ferrovia. Apesar da malária, converteu-se numa ''cidade efervescente'' comparada ao passado, sede municipal e comarca de vasta região, implicando o rebaixamento de São Jerônimo a distrito.
Em 1933-34, o jovem estudante de medicina João Dias Ayres, morando com a madrinha Balbina Fabrício de Mello em Curitiba, recebia notícias ''de intensa vida social e comercial em Jataí''. Remetente: o promotor de Justiça da Comarca, Lauro Fabrício de Mello, filho de Balbina. ''As fotografias exibidas pelo ilustre promotor demonstravam que havia um clube aquático nas margens do rio Tibagi, que reunia a sociedade''. Jataí, ''única comarca de toda a região'', abrangendo Sertanópolis, Primeiro de Maio ''e os povoamentos das áreas do [ribeirão] Três Bocas, a futura Londrina e seus patrimônios satélites''.
A fase durou menos de uma década, perdendo Jataí a condição de município para São Jerônimo em 1938, quando foram criadas as comarcas de Cornélio Procópio e de Londrina. Em 1943, houve a integração ao município de Assaí com o arremate em diminutivo: Jataizinho. E só voltaria a ser município em 1947.
Atualmente, o ex-vereador Nerino de Freitas ainda sugere que o município tenha outro nome, Jataí de Alcântara, por entender que o diminutivo atrapalha.
O sanitarista propôs a cidade em outro lugar
João Dias Ayres relatou em livro (''Portal da Esperança, Crônicas do Anteontem'' - 2000) que a sua ''mente se inflamava'' quando ouvia aquelas notícias de Jataí, que, afinal, o motivaram a exercer a profissão no Norte, ainda na década de 30.
Cogitou-se, então, deslocar a cidade de Jataí, por causa da malária (ou maleita no dito popular), testemunhou Dias Ayres. Os remansos nas margens dos afluentes do Tibagi eram focos de larvas de transmissores do impaludismo em todos os graus, sujeitando a população a ''epidemias que se prolongavam de uma a outra estação chuvosa''. Ante a impossibilidade de saneamento, o médico Júlio Moreira, enviado pelo interventor Manoel Ribas, ''aconselhou simplesmente que o governo mudasse a cidade para lugar distante do rio Tibagi''.
A população discordou e o esvaziamento populacional de Jataí passou a ter duas causas: a malária e o pleno acesso a Londrina, em 1935, com a transposição do Tibagi pela ferrovia.

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