A última segunda-feira que era para ser o primeiro dia de aula do calendário letivo na Universidade Estadual do Norte Pioneiro (Uenp), os alunos foram recebidos por representantes do comando geral de greve nos campi de Bandeirantes, Jacarezinho e Cornélio Procópio. O objetivo foi esclarecer à comunidade acadêmica sobre os passos da paralisação que atinge não só a Uenp, mas outras instituições em todo o Estado.
"Greve não é universidade fechada. Todos os dias há uma programação de atividade", afirmou a professora Maria Cristina Cavaleiro, membro do comando geral de greve, em Cornélio Procópio. Segundo ela, os graduandos devem participar de aulas magnas sobre cidadania, exibições de filmes sobre o assunto em questão, atividades culturais, produção de cartazes, entre outras ações.
Em Jacarezinho, a participação dos alunos também tem sido relevante. "No primeiro dia de aula, os próprios estudantes tiveram a iniciativa de se reunir em assembleia para se posicionarem em relação à paralisação, definindo apoio unânime", relata o professor Marcio Luiz Carreri, representante do comando de greve do campus de Jacarezinho.
Segundo Carreri, é a primeira vez que a Uenp integra uma greve articulada no Estado com a participação de toda a universidade. "É preciso utilizar a greve como um espaço de debate, ela também é um lugar de aprender cidadania", ressaltou.
"Os professores mostraram a realidade do que está acontecendo no Paraná. O governo está tentando nos persuadir. A faculdade está sem dinheiro até para colocar papel higiênico no banheiro", lamentou o aluno do curso de Educação Física Ricardo Siqueira de Oliveira. "Eu acredito que como estudante meu papel é lutar para que se assegure nossos direitos. Não adianta ficarmos parados esperando somente a ação dos professores."
Para a professora Maria Cristina o governo não tem sinalizado o interesse em estabelecer diálogos. "A universidade e sua representação sindical ainda não foram recebidas pelo governador. Se a Uenp não tiver repasse de verbas de custeio, ela não terá como se manter", afirmou. Há cerca de cinco anos, conforme a integrante do comando de greve, a instituição passa por um "processo muito violento de sucateamento".
As atividades nos campi da Uenp estão suspensas, mas há um entendimento do comando de greve, que para resolver situações específicas foi instituída uma comissão de ética, composta por representantes do sindicato dos professores, do sindicato dos servidores e Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Quanto ao provável atraso no calendário escolar e ao prejuízo que possa causar ao andamento dos cursos, a representante do comando geral de greve Maria Cristina Cavaleiro destacou que as reposições podem ser negociadas no fim da greve.

mockup