Uma espécie de aeronave chamada de ''Girocóptero'', que imita uma estrutura de helicóptero, é fabricada em Siqueira Campos (Norte Pioneiro). Ao longo de 25 anos foram produzidas e comercializadas 62 unidades do modelo AC4 turbo, que leva motor VW 1600 turbo/intercooler (fusca), com capacidade para 56 litros de combustível e velocidade final de 100 km/hora. As duas últimas unidades dessa linha, que custa R$ 38 mil, estão na fase final de produção e as negociações ainda não foram finalizadas. Os materiais utilizados na construção são resina, fibra de vidro e alumínio especial.
O veículo causa curiosidades. É leve, pesando 220 quilos e atinge altitude máxima de 10 mil pés. Voa com toda segurança, apesar de causar medo para os menos corajosos. A decolagem da aeronave requer distância que varia de 200 a 250 metros de pista para acontecer. O pouso é curto, com 10 metros de pista é possível a parada, quase imperceptível ao tocar o solo.
Os comandos são iguais ao de um avião e devem ser precisos porque são neles que a dirigibilidade do aparelho é controlada, o que inclui pousos, decolagens e voos nivelados. ''O voo é diferente não se sente tanto a turbulência como a de um ultraleve. Quem tem medo de voar vai sentir mais segurança. O aparelho balança menos com o vento'', explica o construtor das aeronaves, Devonsir Zaquias Pinto, 57 anos, que é também piloto e instrutor de voo.
Ele conta que a primeira vez que viu um girocóptero foi em Campinas (SP), a paixão foi a primeira vista. ''Vi, gostei e quis aprender a fazer. Na época eu ainda não pilotava. Me inscrevi num curso de piloto privado e fui aprender a voar para depois aprender a fazer o girocóptero'', conta. A intenção de Devonsir era, a princípio, tirar o brevê para seguir carreira em grandes companhias aéreas, mas diferente do que acontece hoje, a aviação civil não empregava com facilidade. ''Na época não bastava saber pilotar. Alguém tinha que indicar. Ser piloto era difícil e extremamente complicado. Eu não consegui emprego, resolvi me dedicar a construção das aeronaves. Fiz do meu hobby a minha profissão'', orgulha-se.
Segurança
''O equipamento é seguro'', garante o piloto e instrutor Devonsir Zaquias Pinto. Ele assegura que problemas estruturais, nos 30 anos de experiência que tem com girocóptero, nunca ocorreram. ''O que acontece é a imprudência dos pilotos, como em todos os veículos de locomoção. Quando se voa dentro do limite do aparelho não há risco de acidentes. Todos os acidentes aéreos são causados por imprudência dos pilotos e não pelo equipamento'', afirma.
Cinto de segurança e capacete são os equipamentos de proteção utilizados pelos passageiros durante os voos, que podem durar até duas horas com velocidade de 100km por hora, com o modelo AC4 turbo. ''A máxima que ele atinge é 160 km/hora, mas essa velocidade é adequada apenas para manobra'', adverte.
Ele conta que para gerar o prefixo para a aeronave é necessário uma inspeção criteriosa, realizada por um engenheiro aeronáutico. ''A avaliação é encaminhada para Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para ser autorizada. Por isso ela precisa ser segura, segue todo um padrão de qualidade'', enfatiza. ''Profissionalmente sou o único do Brasil a produzir girocópteros. Na Itália, Alemanha, Espanha e Estados Unidos e Canadá as unidades são produzidas com mais frequência'', diz.
Devonsir confia tanto no equipamento que já viajou Brasil afora com o girocóptero AC4 turbo. ''Já fui para Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso. A cada duas horas de voo faço as paradas é muito bom'', garante.
Ziram Merege Rodrigues, presidente do aeroporto e piloto de ultraleve reconhece que o equipamento é seguro mesmo. ''Sou piloto desde 1999 e até pouco tempo atrás eu tinha medo de voar. Mas depois que voei a primeira vez, vi que o equipamento é mais seguro que um ultraleve, muito bom'', confessa.

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