Gaijin2 faz passeio na história
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Benedito Teles Equipe da Folha 
Santo Antônio da Platina Eu sou um Gaijin, disse o ator cubano Jorge Perugorría. A cena 61 do filme Gaijin2 realizada, rodada recentemente em meio ao jardim da residência dos proprietários da Fazenda Flora, em Cambará, marca uma das etapas mais importantes da história de quatro gerações de mulheres no Norte do Paraná. A equipe técnica do filme Gaijin2 realizou locações do filme nas fazendas Flora e Califórnia, em Jacarezinho. Quatrocentos e trinta e dois figurantes e membros do elenco de apoio da região de Jacarezinho participaram das filmagens.
A cineasta Tizuka Yamasaki disse que a fazenda foi escolhida porque mantém as características do período cafeeiro. Ela disse que a cultura do café foi abandonada na maioria das fazendas há vários anos, mas alerta que nesta fazenda o cafezal foi retirado em 2001. O ambiente cafeeiro está praticamente intacto, disse. Ela afirmou que os prazos estão sendo cumpridos.
Sentados, encostados ou em cena. Os figurantes não sabiam explicar os motivos pelos quais deixaram sua rotina nos municípios de Jacarezinho e Cambará e de Ourinhos, em São Paulo, para, durante cerca de 12 horas, participar das filmagens. Cansaço, sol e poeira não desanimaram os participantes. Homens e mulheres, em trajes da época, aguardavam, ansiosos, o momento de participarem das filmagens.
As negociações para definir a área com a equipe técnica do longa-metragem começaram em outubro de 2001. O proprietário da fazenda Joaquim Augusto da Costa Lima, 56, disse que conviveu com parte da história retratada no filme. Ele explica que as cenas e as situações são muito semelhantes com a história real. O fazendeiro disse que a caracterização dos colonos e a trajetória dos japoneses na região resgataram um período histórico da região.
O proprietário de um hotel em Jacarezinho, Getúlio Miyamoto disse que estava surpreso. Ele assegurou que não imaginava a complexidade que envolvia a produção de um filme, mas garantiu que foi uma experiência interessante.
O radialista Welk Daniel, de Jacarezinho, disse que não se importava em ficar quase 12 horas sob o sol para participar das filmagens. O deslocamento e participação dos figurantes tiveram início por volta das 5h30min e só terminaram no final da tarde. Ele disse que a participação das pessoas da região demonstrou que a direção do filme destacou, além do cenário, a figura humana do norte pioneiro.
O vereador de Jacarezinho Antonio Carlos de Almeida, 50, disse que nunca imaginou que pudesse participar de um filme. Ele explica que veio trazer o filho para a fazenda quando foi convidado. O vereador conta que ficou cerca de 10 horas vestidos com paletó preto em pleno terreirão. Apesar do calor ele garante que o sacrifico é válido. Vamos divulgar nossa região e a cultura cafeeira,
As filmagens reuniram, além da diretora Tizuka Yamazaki, os atores principais do filme: a nipo-americana Talyn Tomita e o cubano Jorge Perugorría. O elenco também contou os atores Zezé Polessa, Luiz Melo e Louise Cardoso, além de um grupo de atores japoneses e paulistanos. O orçamento da produção total do filme é de R$ 9 milhões. O filme vai contar a história de quatro gerações de mulheres no Norte do Paraná em 100 anos de história.
A atriz e produtora das cenas em Jacarezinho Kristie Miyamoto disse que a seleção dos figurantes foi realizada em março. Mil e duzentas pessoas se inscreveram para participar das filmagens. Ela conta que os critérios para a seleção foram a aspecto físico que teria que ser compatível com o filme e a experiência de interpretação. Kristie Miyamoto interpreta a dekassegui na história e disse ter ficado entusiasmada porque o filme é uma oportunidade para que atores e atrizes amadores tenham contato com a produção de um filme.


