Jacarezinho – A fruticultura é uma das principais atividades econômicas em pelo menos quatro municípios do norte pioneiro. Jaboti e Pinhalão (com a cultura do morango), Carlópolis (goiaba e maracujá doce) e Andirá (banana) se destacam no cenário estadual. A fruticultura nestes municípios superou as culturas tradicionais e são responsáveis por uma renda expressiva.
As culturas correspondem a uma produção anual de 46,7 mil toneladas de frutas. A fruticultura também se desenvolve nos municípios de Japira, Santana do Itararé, Conselheiro Mairinck e Bandeirantes que dependem, com menor intensidade, do setor agrícola. O Norte Pioneiro produz goiaba, manga, abacate, acerola, morango, frutas de caroço (pêssego e nectarina), frutas cítricas e banana.
O chefe da Secretária de Estado de Agricultura e Abastecimento, Fernando Emmanuel Vieira, reforça que a fruticultura está em expansão no Norte Pioneiro. A expectativa é de que o número de agricultores e a produtividade sejam ampliados nos próximos anos. Vieira atribui a expansão ao clima favorável, ao perfil do solo e também à demanda pelos produtos, a proximidade com mercados consumidores. Outro ponto favorável é a divisão fundiária, já que a região é formada por pequenas propriedades. Ele explica que a região está a 400 quilômetros de São Paulo e de Curitiba, que são dois grandes mercados consumidores do Sudeste e do Sul do País, respectivamente.
As características de cultivo também favorecem a produção de frutas com qualidade na região. Ele explica que os pequenos proprietários não utilizam agrotóxicos e defensivos em escala e que o manejo é realizado pela própria família. Vieira argumenta que em outras regiões produtoras de soja e algodão os agricultores estão habituados a utilizar defensivos. No Norte Pioneiro, segundo ele, não há esta cultura. ‘‘Fomos beneficiados pelos fatores geográficos e humanos’’, resume.
O agrônomo da Emater em Pinhalão, Edson Roberto Vaz Ronque, concorda com a avaliação de Vieira. Segundo ele, a fruticultura esta em expansão e tem se destacado devido às características fundiárias do Norte Pioneiro, com pequenas propriedades e agricultura familiar.
Na avaliação da Seab, a fruticultura proporciona uma renda razoável em uma área pequena. Esta rentabilidade estimulou a disseminação das lavouras de frutas na região. Os técnicos reafirmam que os produtores têm se destacado na região devido à qualidade e a organização dos produtores. O padrão de qualidade, segundo os técnicos, é assegurado e a organização dos agricultores facilita a aquisição de insumos e a comercialização da produção. Os prejuízos e riscos diminuem, enquanto a rentabilidade aumenta.
O presidente da Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis, Ilésio Machado, confirma a expansão. Ele acredita que em Carlópolis o clima e o perfil dos agricultores são adequados à produção da frutas e diz que o número de fruticultores aumentou nos últimos meses. A entidade tem cerca de 40 associados, mas comercializa a produção de pelo menos 120 produtores.
O destaque do município é a produção de goiaba. Para este ano, a expectativa é de que sejam comercializadas 500 mil caixas ou 1,5 mil toneladas do produto. Machado afirma que a produção poderia ser dobrada devido à demanda. ‘‘Nosso produto é de qualidade, por isso temos uma demanda superior à nossa capacidade de produção.’’
O município também se destaca na produção de maracujá doce. Ao todo, cerca de 30 agricultores estão produzindo a fruta em Carlópolis. O cultivo do maracujá doce, segundo ele, foi uma alternativa encontrada pelos produtores para amenizar os prejuízos provocados pelo café. Ele explica que em uma pequena propriedade com manejo familiar os cafeicultores têm obtido uma boa rentabilidade. Machado afirma que, se houvesse apoio maior do Estado para obtenção de financiamento e no desenvolvimento de tecnologia, a expansão seria mais rápida. ‘‘Com mais apoio estatal, aumentaríamos a produção’’, defende.

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